Onde investir o 13º: renda fixa segue atrativa (Natalya Kosarevich/Getty Images)
Repórter de finanças
Publicado em 29 de novembro de 2025 às 10h13.
Para muitos brasileiros, a tão aguardada primeira parcela do 13º caiu nesta sexta-feira, 28. E quem precisou esperar até o fim do prazo para o pagamento do benefício, provavelmente já tinha muitos planos em mente: viajar, fazer compras, presentear algum ente querido. Mas as prioridades também batem na porta, e pagar dívidas, fazer uma reserva de emergência ou aplicar o montante precisam ser considerados, é o que dizem os especialistas ouvidos pela EXAME. No meio disso tudo, onde investir o 13º?
A regra é básica — se tem dívidas, é melhor quitá-las. A ideia de investir o dinheiro e, com o rendimento, pagar os débitos em atraso pode até parecer uma boa estratégia. Entretanto, “os juros de uma dívida são tão altos que um investimento tradicional não consegue superá-los”, comenta Nayra Sombra, planejadora financeira CFP pela Planejar.
Para se ter uma ideia do tamanho do problema, o rotativo do cartão pode ultrapassar 300% ao ano, enquanto um investimento conservador costuma render algo perto de 12% anuais.
Ainda assim, isso não quer dizer que é preciso quitar tudo antes de iniciar a jornada de investimentos.
Uma estratégia intermediária funciona melhor: priorizar a quitação das dívidas mais caras, buscar renegociações para alongar prazos ou reduzir encargos — paralelamente, criar o hábito de investir, mesmo com aportes menores no começo.
Depois desse passo, é possível seguir para a próxima etapa: reunir dinheiro para as despesas de começo de ano.
“Isso evita muito estresse financeiro. IPTU, IPVA, matrícula, material escolar. O 13º pode ser um grande aliado para quebrar o ciclo de começar o ano no vermelho”, explica Sombra.
A partir daí, chega a reserva de emergência. “A prioridade é investir com liquidez e com segurança, para ter acesso rápido aos recursos sem perdas”, comenta Ana Paula Milanez, sócia da Guelt Investimentos. E o conceito de reserva de emergência é exatamente isso, alta liquidez e baixo risco.
Fabio Macedo, COO da Webull Brasil, explica que o ideal é ter o equivalente a pelo menos seis meses de gastos mensais, garantindo segurança para lidar com imprevistos. Algumas opções são Certificados de Depósito Bancário (CDBs) ou Tesouro Selic.
Nesse momento, é possível começar a investir em outros ativos, desde arriscados a conservadores, buscando proteção e construção de patrimônio. “Com juros a 15%, a renda fixa realmente se destaca. Mas isso não significa abandonar a diversificação, ela continua essencial, principalmente pensando no longo prazo”, diz Sombra.
"A primeira coisa que esse investidor precisa se perguntar é: qual é o meu objetivo? É poupar para uma aposentadoria, construir patrimônio? Isso define se o investimento será de longo ou de curto prazo. Se ele vai investir para para trocar o carro no ano que vem ou fazer viagem", afirma Catherine Cruz, CIO da Integrity Wealth Management.
A carteira diversificada é sempre a melhor alternativa. Mas essa diversificação e a composição vai variar conforme perfil, objetivos, momento de vida, e outras individualidades de cada investidor, explica Bruno Perri, economista, educador financeiro e sócio-fundador da Fórum Investimentos.
Entretanto, é preciso cautela. Ao mesmo tempo que ano que vem será um ano eleitoral, o que tende a dar volatilidade para os ativos. Será um ano de expectativa de queda de juros no Brasil e nos Estados Unidos (EUA), o que pode levar o investidor a arriscar mais.
Com a bolsa nas máximas, superando os 159 mil pontos, “é natural o investidor ter receio de entrar”, explica Lucas Girão, educador financeiro. “Máximas”, no entanto, são relativas: o mercado faz máximas sucessivas em ciclos de alta e quem espera eternamente “corrigir” costuma ficar de fora, aponta Girão.
No ano, o Ibovespa subiu quase 30%, mas ainda há oportunidades. “É uma recomendação ter ‘um pé’ na bolsa brasileira e nos fundos multimercados, que surfam esses movimentos de queda de juros”, diz Milanez.
Mas antes das ações, vem a renda fixa, que deve terminar 2026 em 12% segundo projeções. CDBs, LCAs, LCIs, fundos de renda fixa high grade e investimentos pós-fixados no geral são boas alternativas. Também são recomendados investimentos em inflação, como em NTNB, com um prazo um pouco mais estendido.
Milanez também recomenda fundos de debêntures incentivadas, que possui isenção do Imposto de Renda (IR), assim como LCA e LCI. Para somar, investimentos dolarizados devem ser considerados: cerca de 10% a 15% da carteira.
O consenso entre os especialistas é fugir da poupança. Afinal, ela rende apenas 70% (líquido) do CDI. Para se ter ideia, o Tesouro Selic, aplicação mais conservadora do mercado, oferece 85% do CDI líquido para aplicações com mais de 2 anos.