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Incorporadora quer dar novo sentido ao luto com reforma de cemitério

Projeto para o Parque da Cidade, em Juiz de Fora, pode ter serviço de hotelaria, funeral de pets e plantio de árvores

Parque da Saudade, em Juiz de Fora, era gerido pela Santa Casa de Misericórdia até um mês atrás (Estrela Urbanidade/Reprodução)

Parque da Saudade, em Juiz de Fora, era gerido pela Santa Casa de Misericórdia até um mês atrás (Estrela Urbanidade/Reprodução)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 30 de novembro de 2025 às 06h00.

Criada a partir da operação brasileira da Binswanger, a Landsight atua como uma consultoria de inteligência para uso estratégico de terrenos. A empresa realiza estudos técnicos e de mercado para identificar a melhor vocação de áreas em diferentes contextos — de condomínios de luxo em bairros cariocas até um cemitério em Minas Gerais.

O cemitério em questão é o Parque da Saudade, em Juiz de Fora, que há menos de um mês era gerido pela Santa Casa de Misericórdia. Quem assumiu a concessão, que dura pelos próximos 31 anos, foi a Novo Parque da Saudade, empresa recém-criada por Rodrigo Mendonça e Marcelo Mendonça.

Rodrigo já estava à frente da Estrela Urbanidade, incorporadora focada em desenvolver projetos imobiliários que evoluem a vida urbana, promovem a integração social e despertam a coletividade nas comunidades.

Marcelo, por sua vez, vem de uma grande empresa de mineração de Juiz de Fora que, na década de 1990, fez uma parceria com a Santa Casa, dona do Parque da Saudade há mais de 50 anos. Na época, a empresa foi a responsável pela construção dos jazigos e ficou com parte deles.

Os dois, que compartilham o mesmo sobrenome apesar de não serem nem sequer primos distantes, enxergaram de cara a sinergia entre os dois negócios.

“A ideia é que não pegássemos somente os jazigos, mas também toda a operação do cemitério, incluindo manutenção e serviços. Tudo isso para exprimir a ideia do quanto um cemitério pode melhor o futuro de uma cidade”, explica Rodrigo.

Investimento em uma área de 500 mil metros quadrados

A área total do cemitério é de cerca de 500 mil metros quadrados. Atualmente, existem 18 mil jazigos no local, e há planos para construir mais 7 mil.

Ainda não há dados exatos sobre valor de investimento, já que, com a Landsight e com Crisa Santos, uma arquiteta especializada em cemitérios, os sócios ainda estão na fase do diagnóstico do terreno.

“O objetivo dessa colaboração é criar um lugar que ajude a superar a dor o mais rápido possível e foque nos sentimentos positivos de gratidão e honra à memória, permitindo, por exemplo, que o cemitério seja frequentado em outros momentos além do Dia de Finados, como em praças onde as pessoas curtam o pôr do sol”, explica Marcelo.

Para isso, são estudadas várias possibilidades. Além da expansão dos jazigos, há também a pretensão de trazer um serviço de cremação ao cemitério, introduzir o produto de jardim memorial — que permite que as cinzas sejam misturadas com sementes para plantar uma árvore — e até mesmo um serviço de hotelaria para quem necessita passar a madrugada no cemitério para velórios.

Grande parte dos serviços, inclusive, devem ser ampliados também para animais de estimação.

O luto como memória — e como negócio

Rafael Sampaio, sócio-diretor da Landsight, afirma que este é o primeiro cemitério que atendem. Para isso, foi utilizado como case o Grupo Parque Brasil, cuja estratégia, segundo o presidente do grupo Hugo Tanure, está alicerçada na gestão, disrupção, inovação e consolidação do setor funerário brasileiro.

“Nosso propósito é modernizar e disruptar integralmente a cadeia de serviços relacionados à morte, da assistência funerária e cremação à gestão de planos assistenciais, cemitérios e espaços memoriais, com foco na valorização dos indivíduos e de suas memórias, na dignidade humana, governança e sustentabilidade”, afirma Tanure.

O Parque Brasil é o grupo responsável pelo BioParque Memorial, um parque ecológico localizado em Nova Lima, também em Minas Gerais, que pretende ser o modelo substituto e complementar dos cemitérios convencionais. O modelo criado pelo grupo utiliza as cinzas da cremação para o plantio de árvores. Nessa proposta, o túmulo tradicional cede espaço a um memorial vivo. 

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BioParque Memorial, parque ecológico localizado em Nova Lima, Minas Gerais, pretende ser o modelo substituto e complementar dos cemitérios convencionais (Parque Brasil/Divulgação)

Além de ser um cemitério ecológico, possui museu e galerias que valorizam a memória e a preservação ambiental, com área de 1,5 milhão de metros quadrados.

Em 2023, o Parque Brasil, com MAG Seguros como investidora-chave, anunciou uma joint venture com o grupo funerário Primaveras para formar um dos principais grupos funerários da América Latina, focando em inovação, ESG e seguros funerários. Posteriormente, adquiriu 100% do grupo e está estruturando um fundo para investir pelo menos R$ 500 milhões no setor funerário nos próximos anos.

“Mas esse valor deve crescer ainda mais com o tempo”, adiantou Tanure à EXAME.

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