Mundo

Brasil poderá usar abertura de mercados para negociar tarifas com Trump, diz CNI

Entidade defende diálogo com americanos e criação de novas parcerias entre os dois países

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em evento na Casa Branca (Win Mcnamee/AFP)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em evento na Casa Branca (Win Mcnamee/AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de macroeconomia

Publicado em 2 de abril de 2025 às 09h55.

Última atualização em 2 de abril de 2025 às 10h00.

A estratégia da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para enfrentar as tarifas de importação de Donald Trump será propor aos Estados Unidos mais parcerias e negócios com o Brasil, incluindo abertura de mercados. Como parte disso, uma missão de empresários brasileiros irá aos EUA, no próximo mês.

A viagem está marcada para os dias 8 e 9 de maio e será feita em parceria com a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. O grupo de empresários brasileiros terá encontros com autoridades do governo Trump e líderes empresariais. Estão sendo buscadas reuniões com representantes do Departamento de Estado (responsável pela diplomacia do país) e do Departamento de Comércio (que aplica as tarifas).

"Estamos preocupados, porque a relação comercial com os EUA sempre foi baseada no diálogo. Nosso objetivo é manter os canais abertos, para procurar soluções do interesse das duas partes, indo até mais além, para que a gente busque uma agenda de facilitação de comércio, de abertura de mercados de maneira recíproca", disse Frederico Lamego, superintendente de negócios internacionais da CNI.

"Podemos desenvolver uma agenda que fortaleça as indústrias de ambos os lados, no sentido de uma cooperação. Uma agenda que vá muito além da discussão tarifária", afirmou.

Entre as áreas que o Brasil tem vantagens comparativas, e que podem entrar na pauta de negociações, estão agricultura, energia, saúde e minerais críticos, usados em equipamentos de ponta, como baterias elétricas, e economia digital.

"Temos questões sensíveis com os Estados Unidos, como a do etanol, mas tem outros setores que a gente pode colocar na balança. Segmentos em que a gente pode tentar criar uma agenda positiva de intercâmbio em uma mesa de negociação com os americanos", disse Lamego.

Os EUA são o maior comprador de exportações industriais do Brasil. Em 2024, o Brasil exportou US$ 40 bilhões em produtos aos Estados Unidos. Deste total, cerca de 60% foram itens manufaturados.

Os principais itens exportados pelo Brasil para os EUA no ano passado foram petróleo, produtos semi-acabados de ferro ou aço e aeronaves e suas peças.

LEIA MAIS:

Novas tarifas de Trump

Lamego disse que a CNI aguarda os detalhes das novas tarifas de Trump, que serão anunciadas nesta quarta-feira, 2, às 17h, para avaliar os impactos e definir os próximos passos.

A posição espelha a postura oficial do governo brasileiro, de não se pronunciar sobre possíveis retaliações antes de as medidas de Trump se concretizarem.

O diretor disse que a CNI ainda está calculando os impactos para o Brasil de outras tarifas já implantadas por Trump, especialmente a taxa extra de 25% sobre aço e alumínio.

Nesta terça-feira, 1, o vice-presidente Geraldo Alckmin adotou um tom cauteloso e disse que o governo brasileiro esperaria as medidas norte-americanas se concretizarem antes de qualquer reação brasileira.

No Congresso, por sua vez, o plenário do Senado, aprovou, por 70 votos a 0, o projeto de lei que permite ao Brasil responder com sanções comerciais a países que não mantenham uma relação de isonomia econômica.

Um estudo do banco BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) mostrou que as medidas de Trump podem ter um impacto negativo anual para o Brasil entre US$ 3 bilhões e US$ 10 bilhões na balança comercial com os Estados Unidos após a aplicação das tarifas recíprocas prometidas pelo presidente Donald Trump.

Acompanhe tudo sobre:Donald TrumpEstados Unidos (EUA)Tarifas

Mais de Mundo

China restringe pedidos de investimentos por empresas locais nos EUA

Na fronteira entre México e EUA, tarifaço de Trump amedronta: ‘Vai deixar muita gente sem trabalho’

Senado dos EUA apresenta plano para acelerar cortes de impostos e ampliar teto da dívida

Tarifas: União Europeia denuncia 'golpe na economia mundial', mas continua aberta a negociar com EUA