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Brasil e México negociam ampliar acordos comerciais em meio a recorde de exportações de carne

Vice-presidente também reforçou que não houve negociação para acordo de livre comércio com o mercado mexicano

O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, em reunião com a presidente mexicana, Claudia Sheinbaun, na Cidade do México (Jessica Ramírez/Presidencia do México)

O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, em reunião com a presidente mexicana, Claudia Sheinbaun, na Cidade do México (Jessica Ramírez/Presidencia do México)

Publicado em 29 de agosto de 2025 às 11h39.

Última atualização em 29 de agosto de 2025 às 13h46.

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CIDADE DO MÉXICO* - O Brasil e o México abriram conversas para rever seus acordos comerciais. O anúncio foi feito durante a viagem do vice-presidente Geraldo Alckmin ao México. O fluxo comercial entre os dois países está em momento de alta, e essas negociações abrem caminho para que as trocas cresçam ainda mais.

O México é o sexto principal comprador de produtos brasileiros. Em 2024, a corrente de comércio movimentou US$ 14 bilhões, com superávit de US$ 2 bilhões para o Brasil. Só em julho de 2025, o Brasil exportou US$ 805 milhões em produtos ao México, uma alta de 29,6% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Os itens mais exportados do Brasil para o México em 2024 foram soja, automóveis, carnes de aves e café. Em carne bovina, o México é o segundo maior cliente do Brasil.

A exportação de carne bovina ao México bate recorde este ano. O volume foi de US$ 20 milhões em 2023. Em 2024, o montante atingiu US$ 250 milhões em 2024, volume já superado em 2025.

"Somente até julho, nós já exportamos US$ 370 milhões, com uma perspectiva de dobrar isso até o final do ano[/grifar]", disse à EXAME Roberto Perosa, presidente da Associação das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec)

Durante a viagem, o Brasil fez um acordo para a abertura do mercado mexicano de itens para fazer ração industrial, usada para alimentar rebanhos bovinos e suínos.

Do outro lado, o Brasil abriu seu mercado para pêssego, aspargos e derivados de atum do México.

As novas conversas entre os dois países buscarão isenções tarifárias e parcerias em mais produtos. Hoje, há dois acordos: o ACE 53, que beneficia cerca de 800 itens, e o ACE 55, que abrange automóveis e suas peças.

“O que nós estamos trabalhando com o México é atualizar, ampliar os acordos de comércio exterior e investimento. Eles têm mais de 20 anos. O ACE 53 cobre praticamente 12% do fluxo do comércio bilateral. Uma cobertura pequena. Foi feito um entendimento para discutir a ampliação”, disse Alckmin.

Por outro lado, um acordo de livre comércio entre os dois países não está sendo debatido. "É bom esclarecer que em nenhum momento se pensou em ter livre comércio. Isso nós temos no Mercosul, que é um tratado. O que nós estamos trabalhando com o México é atualizar, ampliar o acordo de comércio exterior de investimento", afirmou.

Cronograma das negociações

De acordo com Alckmin, foi definido, com a participação da presidente do México, Claudia Sheinbaum, um cronograma para as negociações dos acordos.

"A gente espera concluí-lo até o mês de julho de 2026. Nada impede que, ao longo desse período, possamos trabalhar nos ACEs e em algumas linhas tarifárias", afirmou. Veja o cronograma previsto:

  • Setembro/25 - Elaboração e adoção de termos de referência.
  • Outubro - Decisão formal em reunião da comissão administradora, consultas de obtenção de apoio do setor produtivo nacional, tanto no Brasil quanto no México.
  • Dezembro - Início oficial das negociações.
  • Janeiro/26  - Intercâmbio de informações.
  • Fevereiro - Relatório e intercâmbio de ofertas tarifárias.
  • Abril - Primeira rodada de negociação.
  • Maio - Segunda rodada de negociação
  • Junho - Terceira rodada de negociação.
  • Julho - Encerramento das negociações
  • Agosto - Assinatura dos instrumentos.

*O jornalista Luciano Pádua viajou a convite da ApexBrasil

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