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Brasil pode perder até US$ 10 bi na balança comercial com tarifas de Trump, aponta estudo

Aço, aviões, café e laranja estão entre os produtos que seriam atingidos pelas taxas, segundo levantamento do BTG

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (Andrew Harkik/AFP)

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (Andrew Harkik/AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de macroeconomia

Publicado em 2 de abril de 2025 às 06h01.

Última atualização em 2 de abril de 2025 às 09h30.

O Brasil poderá ter um impacto negativo anual entre US$ 3 bilhões e US$ 10 bilhões na balança comercial com os Estados Unidos após a aplicação das tarifas recíprocas prometidas pelo presidente Donald Trump, aponta um estudo do banco BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

Trump fará o anúncio das tarifas em um grande evento na Casa Branca, na quarta-feira, 2, às 17h (hora de Brasília). Ele promete agir contra países que cobram tarifas de importação de produtos americanos maiores do que o cobrado pelos EUA ao comprar produtos daquele país.

O Brasil se enquadra nesta condição, mas, ao mesmo tempo, tem déficit comercial com os americanos. Ou seja: compra mais produtos feitos nos Estados Unidos do que vende itens brasileiros para eles.

A análise do BTG traça dois cenários possíveis. No primeiro, os EUA aplicariam uma tarifa média de 5,8% sobre produtos brasileiros, a mesma que o Brasil impõe hoje sobre produtos americanos.

No segundo cenário, a tarifa seria de 25%, por levar em conta também barreiras não-tarifárias. O banco ressalta, no entanto, que o cenário de 25% de tarifa é considerado um caso extremo e com chance menor de ser implantado.

Neste primeiro cenário, de tarifa de 5,8%, as exportações brasileiras para os EUA diminuiriam em cerca de US$ 2 bilhões em 2025 e US$ 3 bilhões em 2026 frente ao cenário atual, que já considera o impacto dos 25% sobre as importações americanas de aço.

"Exportações de bens de capital e automotivos (máquinas, equipamentos de transporte) poderiam sofrer leve retração na demanda nos EUA. No agronegócio, produtos como café e suco de laranja – dos quais os EUA são importantes compradores – enfrentariam encarecimento moderado no mercado americano, levando potencialmente a uma pequena perda de participação para concorrentes de outros países", afirma o relatório.

"Petróleo bruto e derivados provavelmente teriam impacto limitado no volume exportado, dada a natureza mais inelástica desse mercado, embora a tarifa possa redirecionar parte das vendas de petróleo brasileiro para outros destinos", aponta o relatório.

Tarifas recíprocas de Trump: o que se sabe até agora?

Cenário com tarifa de 25%

No segundo cenário, Trump determinaria uma tarifa média de 25% ao Brasil, por considerar que o país aplica muitas barreiras não-tarifárias, como regulações sanitárias e impostos locais. Neste caso, haveria perda de US$ 8 bilhões a menos nas exportações brasileiras para os EUA em 2025 (considerando um cenário base próximo de US$ 42 bi exportados aos EUA). Consequentemente, o superávit da balança comercial brasileira diminuiria aproximadamente US$ 10 bilhões. Em 2026, a redução do saldo comercial poderia chegar a US$ 13 bilhões, estima o banco.

Neste segundo cenário, seriam mais afetados os setores de metalurgia e aviação, especialmente a Embraer. "Aeronaves ficariam bem mais caras para as companhias aéreas americanas, possivelmente resultando em adiamento de compras ou busca por fornecedores alternativos, o que representaria perda significativa de receita externa desse setor", aponta o estudo.

No agronegócio, produtos como suco de laranja, café, carnes bovina e de frango, açúcar e etanol sofreriam forte redução de competitividade nos EUA, avalia o BTG. Máquinas e equipamentos também veriam suas vendas diminuírem. "Mesmo commodities minerais e energéticas, como petróleo bruto e celulose, seriam afetadas. A tarifa direcionaria as vendas brasileiras para fora dos EUA, possivelmente com necessidade de desconto de preço para atrair outros compradores, o que significa menor valor exportado", diz o banco.

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