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Brasil pode sair vitorioso de guerra comercial causada por tarifas de Trump, diz WSJ

As exportações do Brasil, tradicionalmente forte na produção de commodities, estão crescendo — o que pode impulsionar o país

Guerra comercial: Brasil pode ser beneficiado, segundo WSJ  (TARIK KIZILKAYA/Getty Images)

Guerra comercial: Brasil pode ser beneficiado, segundo WSJ (TARIK KIZILKAYA/Getty Images)

Publicado em 2 de abril de 2025 às 12h26.

Última atualização em 2 de abril de 2025 às 13h00.

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Brasil pode sair vitorioso da guerra comercial global, segundo uma análise do jornal americano The Wall Street Journal (WSJ), à medida que as exportações do país se tornam mais atraentes frente às tarifas impostas por Donald Trump sobre os produtos chineses.

As exportações do país, tradicionalmente forte na produção de commodities, estão crescendo, com destaque para o aumento das vendas de soja e carne bovina para o mercado chinês, segundo o WSJ.

Em março de 2025, o preço da soja no Brasil alcançou níveis recordes. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo, a diferença de preço da soja brasileira subiu 70% em relação ao preço-base, impulsionada pela alta demanda da China.

Outros produtos como frango e ovos também mostraram aumento nas exportações, com o Brasil se beneficiando da escassez de alguns produtos nos Estados Unidos e da gripe aviária que afetou a produção global de carne de frango.

Com os Estados Unidos ampliando suas tarifas sobre os produtos chineses, o Brasil se posiciona como uma alternativa viável para mercados que buscam substituir as exportações da China.

As relações comerciais com o país asiático, que desde 2009 é o maior parceiro comercial do Brasil, têm se fortalecido, com investimentos bilionários em infraestrutura e um crescente fluxo de comércio. Empresas chinesas controlam partes importantes da energia elétrica brasileira e estão investindo em ferrovias, portos e outros projetos de infraestrutura.

Entenda as tarifas de Trump

Nesta quarta-feira, 2, Trump deve anunciar um novo pacote de tarifas, apelidado de “Liberation Day” (Dia da Libertação), o que deixou os mercados inseguros.

A Tax Foundation, uma entidade americana que analisa os gastos públicos, estima que as tarifas já anunciadas possam afetar até US$ 2 trilhões em importações, com uma redução esperada de 0,4% no PIB dos EUA. Já o banco Goldman Sachs alertou para o aumento do risco de recessão no país.

Veja abaixo a lista de tarifas já anunciadas por Trump

  • Canadá

    • Status: em vigor, com isenções de 30 dias que expiram em 5 de abril
    • Datas: Anunciado em 1º de fevereiro; programado para 4 de fevereiro, mas adiado por 30 dias; efetivo em 4 de março; isenções de 30 dias concedidas em 5 e 6 de março

    • Importações afetadas: Até US$ 253 bilhões enquanto as isenções estão em vigor

    • Taxa aplicável: 10% para energia e potássio; 25% para demais itens

  • México

    • Status: em vigor, com isenções de 30 dias que expiram em 5 de abril
    • Datas: Anunciado em 1º de fevereiro; programado para 4 de fevereiro, mas adiado por 30 dias; efetivo em 4 de março; isenções de 30 dias concedidas em 5 e 6 de março

    • Importações afetadas: Até US$ 236 bilhões enquanto as isenções estão em vigor

    • Taxa aplicável: 25%

  • China

    • Status: em vigor.
    • Datas: Anunciado em 1º de fevereiro; efetivo em 4 de fevereiro; aumentado em 4 de março

    • Importações afetadas: US$ 430 bilhões

    • Taxa aplicável: 10% inicialmente; depois aumentado para 20%

  • União Europeia

    • Status: aguardando aviso de data de início
    • Datas: Anunciado em 26 de fevereiro

    • Importações afetadas: US$ 598 bilhões

    • Taxa aplicável: 25%

  • Aço e Alumínio

    • Status: em vigor
    • Datas: Anunciado em 10 de fevereiro; efetivo desde 12 de março

    • Importações afetadas: Encerramento das isenções de aço (US$ 29 bilhões(; encerramento das isenções de alumínio (US$ 12 bilhões); expansão de derivados (US$ 44 bilhões sob os capítulos 73 e 76), além do conteúdo metálico de US$ 100 bilhões adicionais

    • Taxa aplicável: 25%

  • Automóveis

    • Status: ordem executiva assinada, entra em vigor em 2 de abril
    • Datas: Anunciado em 12 de fevereiro

    • Importações afetadas: Veículos automotores (US$ 224 bilhões); peças de veículos automotores (US$ 83 bilhões)

    • Taxa aplicável: 25%

  • Cobre

    • Status: aguardando definições
    • Datas: Investigação iniciada em 25 de fevereiro; relatório deve ser entregue em 22 de novembro

    • Importações afetadas: US$ 17 bilhões

    • Taxa aplicável: não definido

  • Tarifas recíprocas

    • Status: aguardando definições
    • Datas: Anunciado em 13 de fevereiro; tarifas serão detalhadas em 2 de abril

    • Importações afetadas: Desconhecido

    • Taxa aplicável: não definido

  • Semicondutores e Farmacêuticos

    • Status: aguardando definições
    • Datas: Anunciado em 27 de janeiro; taxa especificada em 18 de fevereiro; data de início não informada
    • Importações afetadas: Desconhecido (produtos e categorias não especificados)

    • Taxa aplicável: 25%+

  • Madeira e derivados

    • Status: aguardando definições
    • Datas: Anunciado em 1º de março; relatório deve ser entregue em 26 de novembro

    • Importações afetadas: Madeira e produtos de madeira, US$ 22,9 bilhões

    • Taxa aplicável: não informado.

  • Produtos Agrícolas

    • Status: previsto para entrar em vigor em 2 de abril
    • Datas: Anunciado em 3 de março

    • Importações afetadas: Não se sabe (produtos e categorias não foram especificados)

    • Taxa aplicável: não informado.

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