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Canadá pune com tarifas de 25% exportações de carros dos EUA não sujeitas a tratado

Primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciou a medida nesta quinta-feira durante entrevista coletiva e acusou o governo de Donald Trump de “fraturar” a economia mundial

EFE
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Agência de Notícias

Publicado em 3 de abril de 2025 às 20h17.

Última atualização em 3 de abril de 2025 às 20h18.

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O Canadá anunciou nesta quinta-feira, 3, que aplicará tarifas de 25% às exportações de automóveis dos Estados Unidos que não estejam em conformidade com as normas do tratado norte-americano de livre-comércio USMCA, em represália à mesma medida que o governo americano começou a aplicar hoje.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, revelou a medida nesta quinta-feira durante entrevista coletiva na qual acusou o governo de Donald Trump de “fraturar” a economia mundial e acabar com o “sistema de comércio global ao ancorá-lo nos EUA” com as tarifas anunciadas ontem.

Carney disse que, em retaliação às tarifas sobre automóveis, o Canadá imporá tarifas de 25% sobre veículos dos EUA que não estejam em conformidade com as regras do USMCA (acordo comercial entre EUA, Canadá e México, também conhecido como T-MEC).

A medida não afetará os veículos provenientes do México ou autopeças procedentes dos EUA.

“Nossas tarifas, ao contrário das dos EUA, não afetarão os componentes automotivos, porque conhecemos os benefícios de nosso sistema de produção integrado. E elas não afetarão o conteúdo dos veículos do México, que está respeitando o acordo comercial”, explicou.

O governo canadense estima que a medida trará cerca de US$ 8 bilhões que serão destinados “diretamente” aos trabalhadores afetados pelas tarifas.

Carney explicou que a “antiga relação de integração contínua e profunda com os EUA acabou” e que, embora “seja uma tragédia, é também a nova realidade”.

O primeiro-ministro canadense também enfatizou que as ações de Trump são “uma clara violação" do USMCA, que o próprio presidente dos EUA assinou durante seu primeiro mandato.

Especificamente, Carney apontou para as tarifas sobre o setor automotivo, o mais integrado entre os três países da América do Norte desde que, há 60 anos, EUA e Canadá assinaram um acordo para eliminar suas sobretaxas.

“Essa era acabou, a menos que EUA e Canadá concordem com uma nova abordagem abrangente”, declarou.

As palavras do premiê canadense contrastam com declarações da presidente do México, Claudia Sheinbaum, que elogiou a decisão de Trump de não impor novas tarifas aos seus parceiros do USMCA e disse que o acordo comercial tripartite “sobreviveu”.

De acordo com Carney, as ações de Trump anunciadas ontem “fraturarão a economia global e afetarão negativamente o crescimento econômico global".

"A economia global é fundamentalmente diferente hoje do que era ontem”, frisou.

Diante da nova realidade, o Canadá “combaterá cada uma dessas tarifas” em tribunais e órgãos internacionais, acrescentou Carney. O país também aumentará suas relações com o que chamou de países “confiáveis”.

Carney revelou que nesta quinta-feira debateu com o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, sobre “a importância de parceiros confiáveis trabalhando juntos para proteger a segurança transatlântica e aprofundar os laços econômicos”.

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