Equação usada pelo governo americano para definir as tarifas recíprocas de importação (Reprodução)
Repórter de macroeconomia
Publicado em 3 de abril de 2025 às 10h53.
Última atualização em 3 de abril de 2025 às 11h02.
Ao anunciar as tarifas recíprocas, na quarta, 2, o presidente Donald Trump mostrou números que geraram dúvidas. Em uma coluna, ele apontou as tarifas que outros países estariam cobrando dos EUA. Ao lado, mostrou as tarifas que os americanos passariam a cobrar de cada um.
No entanto, as tarifas que os EUA apontaram como sendo as cobradas por outros países não eram as cobradas na realidade. No anúncio, Trump disse que a conta considerava também barreiras não-tarifárias e outras travas de cada país aos produtos americanos.
Apesar disso, horas depois, a Casa Branca revelou que a ideia de cálculo foi outra.
O site da USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) divulgou uma equação, mostrada no topo desta reportagem, que mostra uma fórmula que divide o superávit comercial de um país com os EUA pelo total de suas exportações, com base em dados do Censo dos EUA em 2024.
Esse número foi, então, dividido por dois, produzindo o que foi chamado por Trump de taxa com desconto.
Donald Trump, presidente dos EUA, exibe quadro com novas tarifas (Brendan Smialowski/AFP)
A China, por exemplo, teve um superávit comercial de US$ 295 bilhões com os EUA no ano passado sobre um total de exportações chinesas de US$ 438 bilhões — uma proporção de 68%. Dividido por dois, conforme a fórmula de Trump, isso resultou em uma tarifa de 34%. Os mesmos cálculos produziram aproximadamente as taxas para outras economias, como Japão, Coreia do Sul e União Europeia.
Os países onde os EUA registram superávit comercial também foram afetados, enfrentando uma taxa fixa de 10%, assim como nações onde o comércio estava aproximadamente equilibrado. Foi o caso do Brasil, assim como dezenas de países. Veja a lista completa ao final da reportagem.
A fórmula de Trump incluía dois outros parâmetros — elasticidade-preço da demanda de importação e elasticidade dos preços de importação em relação às tarifas. Na equação, no entanto, esses itens foram colocados com valores que efetivamente se anularam, resultando em uma multiplicação por um.
O USTR afirmou que, embora fosse tecnicamente possível calcular as taxas para barreiras comerciais reais, a metodologia escolhida pela Casa Branca alcançaria o objetivo de Trump de reduzir os déficits comerciais.
"Embora calcular individualmente os efeitos do déficit comercial de dezenas de milhares de tarifas, regulamentações, impostos e outras políticas em cada país seja complexo, se não impossível, seus efeitos combinados podem ser estimados ao calcular o nível tarifário consistente com a eliminação dos déficits comerciais bilaterais" dizia a declaração.