Mundo

Diretor iraniano boicotará Oscar 2017 após veto de Trump

Cineasta iraniano e vencedor do Oscar Asghar Farhadi anunciou a medida após Trump proibir a viagem de pessoas do Irã e de outros seis países aos EUA

Asghar Farhadi: filme de Farhadi foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano (Jason Merritt/Getty Images)

Asghar Farhadi: filme de Farhadi foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano (Jason Merritt/Getty Images)

R

Reuters

Publicado em 30 de janeiro de 2017 às 11h41.

Dubai - O cineasta iraniano e vencedor do Oscar Asghar Farhadi vai boicotar a cerimônia da premiação deste ano em protesto contra a proibição "injusta" imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra viagens de pessoas do Irã e de outros seis países.

Ao anunciar sua decisão, o diretor, que venceu o prêmio de melhor filme estrangeiro em 2012 com "A Separação" e voltou a ser indicado neste ano, comparou o governo Trump com a linha-dura do Irã, já que ambos usam o medo de estrangeiros fora "para justificar o comportamento extremista e fanático de indivíduos de mente estreita".

"A linha-dura, apesar de suas nacionalidades, argumentos políticos e guerras, encara e entende o mundo praticamente da mesma maneira", disse Farhadi em um comunicado publicado pelo jornal norte-americano New York Times e parte da mídia iraniana.

"Para entender o mundo, eles não têm escolha a não ser encará-lo por meio de um 'nós e eles'... isso não está limitado aos Estados Unidos; no meu país a linha-dura é igual", afirmou, anunciando que não vai comparecer ao Oscar mesmo que receba uma permissão especial para viajar.

Taraneh Alidoosti, a protagonista de "O Vendedor", de Farhadi, que foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano, já anunciou que vai boicotar a cerimônia em protesto contra a proibição "racista" de viagem de Trump.

Farhadi é impopular com a linha-dura do regime iraniano, que criticou "A Separação" por ilustrar a desigualdade de gêneros no país e o desejo de muitos cidadãos de deixar a pátria.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas classificou o veto como "extremamente perturbador" depois de perceber que Farhadi e seu elenco e equipe poderiam ser impedidos de entrar nos EUA.

"A Academia celebra as conquistas na arte da cinematografia, que procura transcender fronteiras e falar a plateias de todo o mundo, independentemente de diferenças nacionais, éticas ou religiosas", disse a entidade no sábado.

Acompanhe tudo sobre:Estados Unidos (EUA)ImigraçãoDonald TrumpIrã - PaísOscar

Mais de Mundo

Governo da Itália desmantela esquema de fraudes para obtenção de cidadania

Trump conversou por telefone com Maduro sobre possível encontro, diz jornal

Trump diz que vai cancelar 92% das ordens assinadas por Biden

Acordo UE-Mercosul: votação dos países europeus ocorrerá entre 16 e 19 de dezembro