Mundo

Egípcios voltam às urnas amanhã apesar do boicote de juízes

Cerca de 25,5 milhões de cidadãos têm direito a votar amanhã em 6.724 colégios eleitorais

EXAME.com (EXAME.com)

EXAME.com (EXAME.com)

DR

Da Redação

Publicado em 21 de dezembro de 2012 às 08h29.

Cairo - Os egípcios voltarão às urnas amanhã, sábado, no segundo turno do referendo sobre a Constituição, que será realizado em 17 províncias, apesar ao boicote de grande parte dos juízes, que, segundo a lei, devem supervisionar o processo.

Cerca de 25,5 milhões de cidadãos têm direito a votar amanhã em 6.724 colégios eleitorais de províncias como Giza, que abrange parte do Cairo, Manufiya, Port Said, Luxor e Suez.

Assim como na primeira fase, o exército zelará pela segurança nas seções eleitorais. Além disso, haverá salas de operações em todos os tribunais de apelação, instaladas pela Comissão Eleitoral, para seguir o referendo.

O magistrado Ali Arafat, membro da Comissão, assegurou que se permitirá às ONGs observar a apuração dos votos para garantir a transparência, após as queixas no primeiro turno, onde não lhes deixaram fazê-lo.

Na primeira etapa da votação, que aconteceu em dez províncias, entre elas Cairo e Alexandria, venceu o "sim", segundo os resultados oficiais publicados pela Irmandade Muçulmana.

Fica a incógnita de como será a votação deste sábado perante a escassez de juízes depois que grande parte deles tenham decidido boicotá-la.

Na quarta-feira, o presidente do Colégio de Juízes do Egito, a maior associação de magistrados do país, Ahmed al Zind, afirmou que estão determinados a seguir adiante com o boicote, da mesma forma que resolveu esta semana a principal associação de juízes do Conselho de Estado, órgão da justiça administrativa.


Para hoje, os islamitas convocaram um protesto em Alexandria "para defender os ulemás e as mesquitas" depois que na semana passada o conhecido xeque Ahmed el Mahalaui ficou 14 horas trancado em um templo, cercado por fiéis enfurecidos por seu sermão a favor do voto "sim".

Ontem à noite, dois dos líderes da Frente de Salvação Nacional (FSN), que reúne grande parte da oposição não islâmica, Mohamed ElBaradei e Amr Moussa, divulgaram vídeos na internet e meios de comunicação para solicitar o "não".

ElBaradei justificou que o voto protegeria a "sharia" e a estabilidade, já que considera que a nova Carta Magna poderia causar conflitos no futuro entre Al-Azhar, a instituição religiosa muçulmana mais importante do país, e as autoridades judiciais.

Moussa, por sua vez, pediu, além do voto no "não", que os cidadãos vigiem o processo eleitoral dentro e fora das seções e que denunciem as infrações pela ausência da maioria dos juízes.

Já o porta-voz da presidência, Yasser Ali, afirmou ontem à noite que o governo está aberto a um diálogo sobre o texto constitucional independentemente do resultado do referendo.

A Assembleia Constituinte havia convocado para hoje um diálogo com a cúpula do FSN para tratar suas objeções à Carta Magna, no entanto os líderes desse grupo se recusaram a participar. 

Acompanhe tudo sobre:Política no BrasilProtestosÁfricaEgitoLegislaçãoEleições

Mais de Mundo

Drone ucraniano provoca incêncio perto de 'palácio de Putin' no sul da Rússia

Deputado ucraniano assassinado no oeste do país

Navio de guerra americano entra no Canal do Panamá rumo ao Caribe

Tribunal dos EUA determina que maioria das tarifas implementadas por Trump são ilegais