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Governo da Itália desmantela esquema de fraudes para obtenção de cidadania

Rede criminosa se beneficiava de uma legislação que facilita a naturalização de pessoas com ascendência italiana

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 28 de novembro de 2025 às 20h41.

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Uma operação policial na Itália desmantelou uma rede criminosa responsável por fraudar comprovantes de residência para brasileiros, para facilitar a obtenção da cidadania italiana. A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 28, pela agência de notícias italiana Ansa.

De acordo com as autoridades, o esquema estava em funcionamento na cidade de Moggio Udinese, localizada perto da fronteira com a Áustria, desde 2018. Os envolvidos fraudaram a residência de 84 brasileiros, que não moravam no local, para que pudessem obter os documentos necessários para acelerar o processo de cidadania italiana.

Com os comprovantes falsificados, os beneficiados conseguiam driblar a fila nos consulados e, em poucos meses, adquiriam a cidadania italiana. O esquema se beneficiava de uma legislação que facilita a naturalização de pessoas com ascendência italiana que escolhem residir no país, um direito buscado por uma pequena parcela dos latino-americanos.

A polícia italiana denunciou seis pessoas por falsidade ideológica, incluindo servidores públicos. O esquema foi liderado por uma mulher albanesa de 61 anos e um homem brasileiro de 54, que, segundo as investigações, falsificavam contratos de aluguel, documentos e organizavam viagens à Itália para finalizar o processo de cidadania.

Os brasileiros que se beneficiaram do esquema pagavam cerca de € 6.000 (aproximadamente R$ 37 mil) por cada comprovante de residência falso, com a opção de pagar mais para completar o processo sem precisar viajar à Itália. No total, a rede criminosa movimentou mais de € 500 mil (cerca de R$ 3 milhões).

Esquemas semelhantes já haviam sido desmantelados na Itália anteriormente. O país adota o princípio do jus sanguinis, ou seja, a cidadania é concedida a pessoas que têm ascendência italiana, ao contrário do jus solis, praticado na maioria dos países das Américas, em que a nacionalidade é atribuída com base no local de nascimento.

Recentemente, o governo de Giorgia Meloni implementou restrições a essa possibilidade, alterando a legislação que facilitava a obtenção de cidadania por descendentes de italianos.

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