Javier Milei: presidente da Argentina enfrenta grandes desafios diante da inflação e pobreza no país (Presidência da Argentina/AFP)
Agência de Notícias
Publicado em 3 de abril de 2025 às 16h52.
Última atualização em 3 de abril de 2025 às 17h07.
O governo de Javier Milei exaltou nesta quinta-feira a tarifa de 10% imposta pelos Estados Unidos sobre a entrada de produtos argentinos no país americano, por considerar que foram "beneficiados" com "as tarifas mais baixas".
"É uma fonte de satisfação o fato de termos sido beneficiados com as tarifas mais baixas. O que o presidente [Milei] disse foi isso, comemorar as tarifas mais baixas", disse o porta-voz da Presidência, Manuel Adorni, em entrevista coletiva na Casa Rosada.
Adorni explicou a reação de Milei à decisão de Donald Trump de impor tarifas sobre produtos argentinos com a publicação em suas redes sociais da música Friends will be friends, da banda britânica Queen, coincidindo com sua viagem aos Estados Unidos.
No entanto, as tarifas de 10% impostas à Argentina são as mesmas impostas a outros países da região, como Brasil, Colômbia, Chile e Peru.
Em sua declaração à imprensa, Adorni passou a defender a decisão dos EUA e comentou que as tarifas de importação são uma "novidade" e "confirmam que Trump não é protecionista, mas que está usando as tarifas para a geopolítica".
"Entendemos que não se trata de uma questão ideológica, esta ou aquela tarifa. Não achamos que se trata de um ataque ao livre-comércio, muito pelo contrário. Acreditamos que é pró-comércio e aumenta as tarifas em países protecionistas ou em países com níveis desproporcionais de tarifas", analisou Adorni.
"Nós nos beneficiamos quando você olha a tabela de tarifas ou vê as porcentagens de outros países", reiterou o porta-voz.
Milei viajou na noite passada para a Flórida para receber um prêmio em Mar-a-Lago, a residência particular de Trump, onde pode se encontrar com o republicano.
Esta é a décima viagem do chefe de Estado argentino aos Estados Unidos desde que assumiu o cargo, em 10 de dezembro de 2023, e a terceira neste ano, após sua presença na posse de Trump e na Conferência de Ação Conservadora (CPAC) em Washington, em janeiro e fevereiro, respectivamente.
A viagem ocorre no momento em que a Argentina busca um pacto comercial com os Estados Unidos e aguarda uma decisão do conselho executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre um novo acordo de financiamento de US$ 20 bilhões.