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Imprensa internacional repercute carta e tarifas de Trump contra o Brasil: ‘destemperada’

Veículos como The Guardian e CNBC destacam tom de documento com críticas ao STF e defesa de Bolsonaro

Carta de Trump sobre tarifas ao Brasil é chamada de "destemperada" por veículos internacionais (AFP)

Carta de Trump sobre tarifas ao Brasil é chamada de "destemperada" por veículos internacionais (AFP)

Agência o Globo
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Publicado em 9 de julho de 2025 às 19h34.

Última atualização em 9 de julho de 2025 às 19h38.

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A imprensa internacional repercutiu nesta quarta-feira o anúncio feito pelo presidente americano Donald Trump de que os Estados Unidos irão impor tarifas de 50% aos produtos brasileiros a partir do dia 1 de agosto.

A decisão foi comunicada por meio de uma carta divulgada na rede Truth Social e tem como justificativa "censura" às mídias sociais americanas pelo país, além de mencionar ataques do STF à liberdade de expressão.

No documento, Trump também voltou a se referir ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela trama golpista no Supremo Tribunal Federal como um "caça às bruxas".

Em uma matéria atualizada em tempo real, o jornal britânico The Guardian chamou a carta de Trump como "destemperada" e destacou que o documento destoa de anúncios anteriores de tarifas.

"Até agora, as cartas tarifárias de Trump têm sido quase idênticas, mudando pouco mais do que os nomes dos países e líderes e as taxas tarifárias, mas a carta destemperada dirigida ao atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, é marcadamente diferente", escreveu o veículo britânico. O The Guardian também comparou os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 com a invasão ao Capitólio feita por apoiadores de Trump em 2021.

Assim como o Guardian, a emissora CNBC destacou a diferença no tom da carta, quando comparada aos anúncios anteriores. "A carta a Lula vai mais longe do que as restantes, ao impor uma nova taxa de imposto de importação nos EUA explicitamente como punição a um país envolvido em assuntos políticos e jurídicos internos que não agradam a Trump", escreveu o canal em seu site.

A emissora destacou também que, apesar das alegações do presidente americano de que as políticas brasileiras causaram déficits comerciais aos Estados Unidos, o país obteve um excedente no comércio de bens de US$ 7,4 bilhões em 2024.

O jornal americano The New York Times, por sua vez, escreveu: "o esforço de Trump para usar tarifas para intervir num julgamento criminal num país estrangeiro é um exemplo extraordinário de como ele vê os impostos como um porrete que serve para todos".

"Donald Trump disse que o Brasil estaria sujeito a tarifas dos EUA de 50% sobre seus produtos, acusando o país de tratar injustamente o ex-presidente Jair Bolsonaro", escreveu, por sua vez, o jornal Financial Times, momentos depois do anúncio.

Já a Bloomberg referiu-se a carta como uma "dramática intensificação" que segue as "críticas vocais do líder dos EUA às políticas externa e interna do presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva".

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