Emmanuel Macron: presidente da França reforçou que os países europeus devem se manter unidos diante da medida adotada pelo presidente dos EUA, Donald Trump (ROBERTO SCHMIDT/AFP)
Agência de Notícias
Publicado em 3 de abril de 2025 às 13h50.
O presidente da França, Emmanuel Macron, chamou as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump de "brutais" e "infundadas" e advertiu que elas terão "um impacto" em todo o comércio internacional, "não apenas na França e na União Europeia".
"Elas terão um impacto no equilíbrio de nossas economias e em certos mercados. A extensão é sem precedentes", alertou Macron em uma reunião no Palácio do Eliseu com membros do governo francês e representantes dos setores econômicos franceses mais afetados pelas tarifas.
Segundo o governante francês, a resposta será europeia, "um mercado de 450 milhões de consumidores, mais do que nos Estados Unidos".
Em sua primeira reação oficial ao anúncio da tarifa, Macron enfatizou que os membros da UE devem "estar unidos" em sua resposta a Washington e "não agir sozinhos".
"Vamos preparar uma resposta europeia. Nada está excluído, tudo está sobre a mesa", advertiu o presidente francês, que citou que a taxação de "serviços de internet", incluindo empresas populares como Amazon, Google e Netflix, pode estar entre as possíveis represálias europeias.
"Faremos o que for mais eficaz e proporcional. Não estamos dispostos a sermos passados para trás. Vamos nos defender e nos proteger", disse Macron, que ressaltou que os próprios consumidores dos EUA também serão prejudicados pelas tarifas.
Macron também solicitou uma resposta comum dos diferentes setores a essa decisão e, nesse sentido, exigiu que as empresas francesas já presentes nos Estados Unidos suspendam seus projetos de investimento até que a situação tarifária "seja esclarecida".
A decisão de Trump "vem de uma boa análise do mundo, porque é verdade que no Ocidente há muita desindustrialização, mas a resposta é ruim", argumentou Macron, que afirmou ser a favor da "concorrência leal".
Para Macron, a desindustrialização deve ser combatida com maior produtividade no setor, e não com tarifas.
O primeiro-ministro francês, François Bayrou, também falou na reunião de crise, dizendo que a decisão do outro lado do oceano Atlântico "ataca a ideia da aliança com os Estados Unidos e a estabilidade do mundo ocidental"