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Morte do Papa João Paulo II completa 20 anos

João Paulo II foi beatificado em 2011 e canonizado três anos depois pelo atual líder da Igreja Católica, o Papa Francisco

João Paulo II não foi apenas um líder religioso, mas também um ator político de peso (José Cruz/Agência Brasil)

João Paulo II não foi apenas um líder religioso, mas também um ator político de peso (José Cruz/Agência Brasil)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 2 de abril de 2025 às 01h00.

Há exatos 20 anos, o mundo assistia à despedida de um dos papas mais emblemáticos da história da Igreja Católica. Karol Józef Wojtyła, o Papa João Paulo II, morria em 2 de abril de 2005, aos 84 anos, após uma longa luta contra o Parkinson, além da saúde debilitada. Sua morte não foi apenas o fim de um pontificado de quase 27 anos (o terceiro maior já documentado da história da Igreja Católica), mas também o fechamento de um ciclo de profundas transformações tanto para a Igreja quanto para a sociedade mundial.

Para marcar os 20 anos de sua morte, uma missa especial será realizada na Basílica de São Pedro, presidida pelo Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin. À noite, uma vigília de oração será conduzida pelo arcebispo Tadeusz Wojda, na Praça São Pedro. 

Com seu carisma singular, João Paulo II não foi apenas um líder religioso, mas também um ator político de peso. Sua jornada começou em 1978, quando se tornou o primeiro papa não italiano em 455 anos. A ascensão de Wojtyła ao papado, oriundo da Polônia, trouxe uma renovação para a Igreja Católica, que, além de sua doutrina, também se deparava com um mundo em transformações rápidas e profundas. Wojtyła até hoje foi o único papa eslavo da história do catolicismo.

Atitude global

João Paulo II não foi apenas uma figura religiosa: ele se tornou um símbolo da resistência contra os regimes totalitários. Sua atuação decisiva na queda do comunismo na Europa Oriental é um dos pilares do seu legado. De sua terra natal, a Polônia, ele foi uma voz incansável contra o regime soviético, oferecendo apoio direto aos movimentos de liberdade, como o sindicato Solidariedade, liderado por Lech Wałęsa. Sua visita à Cracóvia, em 1979, encorajou milhões de poloneses a acreditar na possibilidade de um futuro livre.

No cenário global, seu papel no processo de paz no Oriente Médio também foi significativo. João Paulo II manteve um compromisso com o diálogo inter-religioso, buscando aproximação com o judaísmo e o islamismo. Sua visita à Sinagoga de Roma, em 1986, foi um marco histórico, abrindo portas para uma nova relação entre a Igreja Católica e o povo judeu.

Atentado e perdão

O atentado contra o Papa João Paulo II ocorreu em 13 de maio de 1981, na Praça de São Pedro, no Vaticano, durante sua audiência semanal. Mehmet Ali Ağca, um turco ex-membro da organização terrorista Grey Wolves, disparou duas balas contra o Papa, atingindo-o na barriga e no braço. O Papa foi imediatamente socorrido e levado ao hospital, onde passou por uma série de cirurgias. O atentado gerou uma enorme comoção mundial, e João Paulo II ficou internado por vários meses. A motivação do atentado nunca foi completamente esclarecida. Ağca afirmou depois que agiu sozinho, motivado por questões pessoais e políticas.

Após sua recuperação, João Paulo II perdoou publicamente Ağca, visitando-o na prisão em 1983.

Peregrino  de valores conservadores

Com uma postura firme em temas de ética e moral, João Paulo II se posicionou de maneira categórica sobre questões como o aborto, o casamento e os direitos humanos. Uma de suas posturas mais criticadas foi sua oposição a métodos contraceptivos. Seu documento mais célebre foi a encíclica Evangelium Vitae, de 1995, que tratava  do valor e a inviolabilidade da vida humana.

João Paulo II também foi lembrado como o Papa Peregrino. Durante seu pontificado, ele percorreu 1,7 milhão de quilômetros, realizando 104 viagens internacionais e visitando 129 países.

João Paulo II foi beatificado em 2011 por Bento XVI e canonizado três anos depois pelo atual líder da Igreja Católica, o Papa Francisco.

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