Mundo

Oposição concorda com Maduro e diz que parte da Guiana pertence à Venezuela

Disputa por território foi novamente posta sobre a mesa na semana passada pelo chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, que alertou Caracas sobre as consequências que enfrentaria se atacasse o país vizinho

AFP
AFP

Agência de notícias

Publicado em 1 de abril de 2025 às 19h16.

Última atualização em 1 de abril de 2025 às 19h29.

Tudo sobreVenezuela
Saiba mais

Os líderes opositores María Corina Machado e Edmundo González expressaram, nesta terça-feira, 1º de abril, seu compromisso com a "defesa" da soberania da Venezuela sobre o Essequibo, uma região rica em petróleo que o país reivindica da vizinha Guiana em uma controvérsia territorial centenária.
O governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, acusou várias vezes a oposição de querer "entregar" a região para a Guiana.

"O Essequibo é da Venezuela e vamos defendê-lo. Os direitos da Venezuela sobre o território do Essequibo são indiscutíveis, fundamentados em títulos históricos e jurídicos sólidos", manifestaram-se Machado e González em nota.

A disputa por este território de 160 mil km², reavivada quando a ExxonMobil descobriu enormes jazidas de petróleo no local, há uma década, foi novamente posta sobre a mesa na semana passada pelo chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, que alertou a Venezuela sobre as consequências que enfrentaria se atacasse a Guiana.

Maduro rechaçou as declarações de Rubio, a quem qualificou de "imbecil", enquanto seu governo negou buscar um conflito. A Força Armada advertiu que responderia com "firmeza e determinação a qualquer provocação ou ação".

"Queremos ser enfáticos: nós nos opomos categoricamente a qualquer opção bélica para resolver este assunto", expressaram os líderes opositores em seu comunicado.

No começo de março, a Guiana denunciou uma incursão em suas águas de um navio militar da Venezuela, que negou a acusação.

A Venezuela escolherá pela primeira vez autoridades venezuelanas para o Essequibo nas eleições de governadores e deputados no próximo 25 de maio. Na segunda-feira, o partido do governo anunciou a candidatura de um alto oficial militar, o almirante Neil Villamizar, que foi comandante da Marinha, para governador.

A Guiana defende um laudo de 1899, que estabeleceu as fronteiras atuais e o governo do presidente guianês, Irfaan Ali, pediu à Corte Internacional de Justiça (CIJ) para ratificá-lo.

A Venezuela, que rejeita a jurisdição deste organismo no caso, apela a um acordo assinado em 1966 com o Reino Unido antes da independência guianesa, que anulava esse laudo e estabelecia as bases para uma solução negociada.

Diferentemente do governo, a oposição pede a defesa da posição venezuelana junto à CIJ. "Este processo requer uma defesa jurídica e estratégica integral, com a participação dos melhores especialistas, sem manipulações políticas ou ideológicas", avaliou.

Acompanhe tudo sobre:VenezuelaNicolás MaduroEstados Unidos (EUA)Maria Corina MachadoGuiana

Mais de Mundo

Que horas Trump vai anunciar as tarifas? Veja detalhes do anúncio

Trump sofre primeira derrota eleitoral após votação para Suprema Corte de Wisconsin

Brasil pode perder até US$ 10 bi na balança comercial com tarifas de Trump, aponta estudo

Morte do Papa João Paulo II completa 20 anos