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País que mais cresce no mundo, Guiana prepara estrada de R$ 5 bilhões para se conectar ao Brasil

Obra ligará capital da Guiana à fronteira com Roraima e reduzirá tempo de viagem de mercadorias de 21 dias para 48 horas

Caminhão na estrada que liga Linden e Lethem, no Essequibo, na Guiana; trajeto será substituído por nova estrada (Joaquin Sarmiento/AFP)

Caminhão na estrada que liga Linden e Lethem, no Essequibo, na Guiana; trajeto será substituído por nova estrada (Joaquin Sarmiento/AFP)

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Agência de notícias

Publicado em 31 de agosto de 2025 às 15h54.

Última atualização em 31 de agosto de 2025 às 16h34.

Uma lendária estrada de terra vermelha chamada de 'El Sendero' atravessa o território da Guiana. A rodovia serpenteia entre a floresta tropical, planícies e colinas da capital Georgetown, na costa atlântica, até a cidade interiorana de Lethem, na fronteira com o Brasil.

A Guiana possui as maiores reservas de petróleo per capita do mundo e quer aproveitar os novos recursos para tornar esta rota de quase 500 quilômetros uma importante rodovia que transforme a vida econômica do país.

O país, vizinho ao Brasil, é o que mais cresce no mundo. Sua economia aumentou seis vezes de tamanho em dez anos: era de US$ 4,2 bilhões em 2015 e atingiu US$ 24 bilhões em 2024. O crescimento supera dois dígitos desde 2020, com números como 63% de alta em 2022, 34% em 2023 e 43% em 2024, segundo o Banco Mundial.

Também espera que a nova rodovia contribua para abrir o território do Essequibo, a disputada região petrolífera administrada pela Guiana há décadas, mas reivindicada pela vizinha Venezuela.

A obra não é tarefa fácil para este pequeno país sul-americano. Custará quase 1 bilhão de dólares (5,4 bilhões de reais na cotação atual) para construir os quatro trechos da rodovia e cerca de 50 pontes. A data de conclusão mais otimista é 2030.

Por enquanto, percorrer todo o 'El Sendero', também chamado de estrada Linden-Lethem, leva 15 horas.

"É um trabalho muito duro", diz Ramdial Metleash, 27 anos, na cabine de um caminhão que transporta madeira. Ele conta que, na estação das chuvas, os veículos costumam atolar na lama. E quando está seco, há nuvens de poeira.

Metleash trabalha em 'El Sendero' desde os 15 anos. Ele ganha cerca de 60.000 dólares guianenses (290 dólares americanos ou 1,5 mil reais na cotação atual) por viagem, o suficiente para sustentar sua irmã e seu sobrinho.

BR-401, em Bonfim, Roraima, perto da fronteira com a Guiana (Joaquin Sarmiento/AFP)

"Um ponto de inflexão"

Para o ministro de Obras Públicas da Guiana, Juan Edghill, a rodovia será "um ponto de inflexão em termos de para onde segue a Guiana".

"A rodovia, quando estiver pronta, vai nos conectar com a ponte Takatu, que leva ao norte do Brasil. É é um mercado de 20 milhões de pessoas", explica à AFP.

O número é mais de 20 vezes a população da Guiana, que ultrapassa os 800.000 habitantes.

O ministro também destaca que a rota se conectaria ao porto de águas profundas de Palmyra, localizado no nordeste, perto da fronteira com o Suriname, e atualmente em construção.

Atualmente, os brasileiros "levam 21 dias de viagem pelo Amazonas para transportar suas mercadorias até um porto. Com a rodovia, poderão chegar em 48 horas", explica.

Uma fonte que acompanha o projeto, e que preferiu não se identificar, indicou que a estrada também facilitará o transporte de tropas e equipamentos militares para a região, em particular para o Esequibo, que além de petróleo possui valiosas reservas minerais.

Esta região tem sido negligenciada há muito tempo pelo governo de Georgetown, enquanto Caracas insiste em suas reivindicações territoriais.

"O Essequibo faz parte da Guiana", enfatiza Edghill. "É o lar dos nossos irmãos e irmãs indígenas (...) É também o local da mineração em larga escala e da nossa principal atividade florestal".

"Não se pode lutar contra o progresso"

Michelle Fredericks, 53 anos, é proprietária de uma popular barraca de fast food perto do cais de barcaças em Kurupukari.

A ponte passará diretamente sobre o local onde atualmente se encontra o seu negócio. Ela será realocada, mas não terá mais o mesmo fluxo de pessoas que tem agora.

Mas ela está confiante de que o número de visitantes nos finais de semana aumentará quando a nova rodovia reduzir o tempo de viagem de Georgetown pela metade, para cerca de quatro horas.

"Pode ser uma coisa boa para mim", afirma. "Não se pode lutar contra o progresso. É assim que a vida é."

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