Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia (Vyacheslav Oseledko/AFP)
Repórter de macroeconomia
Publicado em 3 de abril de 2025 às 12h23.
Na manhã seguinte ao anúncio das tarifas recíprocas pelo presidente americano Donald Trump, os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos atingidos pelas medidas evitaram retaliações imediatas e disseram estar estudando o cenário.
A posição de moderação foi adotada por países como Brasil, China, Japão, União Europeia e Reino Unido.
O Brasil, taxado em 10%, disse, ainda na noite de quarta, que buscará negociar com os EUA, mas que analisa medidas, como procurar a Organização Mundial de Comércio (OMC), e que "todas as opções estão na mesa".
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, que será tarifada em 54%, Guo Jiakun, disse que o país "tomará as medidas necessárias para proteger firmemente seus interesses" e pediu que Washington "corrija suas posições errôneas" e resolva as disputas comerciais "por meio do diálogo em termos de igualdade e respeito mútuo".
O vizinho Japão, alvo de tarifas de 24%, pediu por isenção das medidas. O ministro da Economia, Comércio e Indústria do Japão, Yoji Muto, disse que as novas tarifas podem prejudicar os investimentos do Japão nos EUA.
O governo do Reino Unido, alvo de taxa de 10%, abriu uma consulta com empresas sobre possíveis medidas retaliatórias, para definir quais produtos deveriam ser incluídos nelas. A consulta será feita até 1º de maio. O ministro de Empresas e Comércio, Jonathan Reynolds, disse ver espaço para um acordo com os EUA, mas disse que o país poderá tomar medidas se isso não ocorrer.
A União Europeia, alvo de 20% de taxas, disse preparar uma resposta. "Estamos nos preparando para novas contramedidas para proteger os nossos interesses e os nossos negócios se as negociações falharem", afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Segundo a Casa Branca, a tarifa mínima de 10% entra em vigor no dia 5 de abril para todos os países. Países com tarifas acima do mínimo terão o adicional cobrado a partir do dia 9 de abril.
As taxas ainda poderão ser aumentadas ou reduzidas, e seguirão em vigor por prazo indeterminado, até que sejam revogadas. Assim, por um lado, há espaço para negociações que possam reduzir as taxas, mas também risco de que retaliações de outros países levem Trump a querer aumentar ainda mais as alíquotas.
Em anúncios anteriores, Trump já agiu nas duas direções. Ele adiou medidas contra Canadá e México após os países se comprometerem com medidas como reforçar a segurança na fronteira. Em março, após a União Europeia ameaçar aumentar taxas sobre produtos americanos, como uísque, o republicano disse que taxaria vinhos e champanhes europeus em 200%. A medida foi suspensa após a UE recuar.
Com EFE.