O presidente Donald Trump, dos EUA: estudo da Amcham mostra que quase 30% dos produtos exportados pelo Brasil ao país serão isentos (Andrew Harnik / Getty Images/AFP)
Repórter de macroeconomia
Publicado em 3 de abril de 2025 às 15h30.
Última atualização em 3 de abril de 2025 às 17h08.
As tarifas recíprocas anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, possuem uma série de isenções, em áreas como energia, minerais e madeira. Assim, 27% das exportações brasileiras ao país ficarão isentas das novas medidas, aponta um estudo da Amcham (Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos) e obtido pela EXAME.
Estes itens movimentaram R$ 11 bilhões em exportações brasileiras em 2024, de um total de cerca de US$ 40 bilhões exportados.
Os dados foram compilados pela entidade a partir das listas disponíveis no anexo da ordem executiva que implantou as medidas, assinada na quarta-feira, 2.
Os itens citados na parte de isenções ficarão livres das tarifas recíprocas para todos os países. O Brasil terá tarifa recíproca de 10%, o menor valor aplicado pelo governo Trump. As novas taxas passam a vigorar no sábado, 5.
No total, são 1.039 produtos e categorias isentos, que representam, em valor, ao redor de 20% de toda a importação dos Estados Unidos de todo o mundo em 2024, ou US$ 655,4 bilhões. Desse total, a maioria, 68,5% está concentrado em dois grandes setores: combustíveis minerais e produtos farmacêuticos.
Para o Brasil, a isenção mais relevante é a para combustíveis minerais, o que inclui petróleo, principal item de exportação do país para os Estados Unidos. Só essa isenção representaria deixar de fora das tarifas o equivalente a US$ 8,4 bilhões em exportações anuais --este foi o total exportado pelo Brasil em 2024.
Em seguida, o item que mais beneficia o Brasil são madeira e obras de madeira, produtos químicos inorgânicos e pedras preciosas. Veja a tabela abaixo:
"É incerto como os países reagirão às tarifas recíprocas aplicadas pelos Estados Unidos. Porém, a nova legislação do país desencoraja retaliações ao prever a possibilidade de aumentar o valor das tarifas em caso de reações desta natureza", diz o estudo.
"Ao mesmo tempo, a nova regra deixa uma porta aberta para redução ou limitação do escopo das tarifas no caso de países que implementarem medidas “significativas” para corrigir barreiras e alinharem-se em questões econômicas e de segurança nacional com os Estados Unidos", prossegue a Amcham.
A entidade avalia que o cenário provável é de muitas negociações entre Washington e os principais países, "seja pelas tarifas recíprocas ou por outras investigações, com destaque para o do setor automotivo".