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'Quebrado'? Nova York projeta ter maior déficit desde a crise financeira de 2009

Gastos crescentes com saúde e educação elevam preocupações sobre equilíbrio fiscal

Nova York alerta para rombo orçamentário bilionário, o maior desde crise financeira (AscentXmedia/Getty Images)

Nova York alerta para rombo orçamentário bilionário, o maior desde crise financeira (AscentXmedia/Getty Images)

Publicado em 10 de agosto de 2025 às 05h05.

O estado de Nova York projetou um déficit orçamentário acumulado de US$ 34 bilhões nos próximos três anos, o maior desde a crise financeira de 2009, conforme divulgado pelo controlador Thomas DiNapoli.

O valor representa um aumento de 25% em relação à estimativa feita em janeiro pela governadora Kathy Hochul.

O crescimento dos gastos com Medicaid e educação, aliado à redução dos fundos federais destinados a programas sociais, contribuem para o aumento do déficit. Os cortes federais são resultado de medidas adotadas no orçamento e no projeto de lei de gastos do governo de Donald Trump, impactando diretamente o financiamento estadual.

“Isso provavelmente é apenas o começo; o relacionamento entre o governo federal e os estados está sendo reestruturado, e os governos estaduais enfrentarão reduções drásticas na ajuda federal, o que pode forçar decisões difíceis sobre as prioridades de receita e gastos dos estados”, disse DiNapoli à Bloomberg.

Além disso, a desaceleração no crescimento do emprego em Nova York agrava a situação fiscal. Entre janeiro e maio de 2025, a criação média mensal de vagas caiu para 4.600, bem abaixo das 19.100 registradas no mesmo período do ano anterior.

O orçamento estadual para o ano fiscal de 2026, aprovado em maio, totaliza US$ 254 bilhões, com destaque para os gastos com Medicaid, que devem ultrapassar US$ 112 bilhões, representando 44% do total.

Os recursos estaduais destinados ao Medicaid chegam a US$ 44 bilhões, enquanto o financiamento para escolas aumenta 4,8%, chegando a US$ 37 bilhões.

Cortes federais

Apesar do cenário desafiador, o plano orçamentário inclui um corte de impostos superior a US$ 2 bilhões para a classe média, com objetivo de aliviar os efeitos da inflação. No entanto, a perspectiva de crescimento econômico mais lento pode reduzir as receitas provenientes dos impostos sobre renda pessoal e empresarial.

O controlador DiNapoli alertou que os cortes federais podem resultar em uma perda de quase US$ 13 bilhões anuais para o sistema de saúde e para o orçamento do estado. Entre os impactos estão também a redução do financiamento para programas ambientais e de energia limpa.

Diante do rombo fiscal, parlamentares democratas defendem a necessidade de aumentar impostos. Zohran Mamdani, candidato favorito à prefeitura de Nova York, propõe elevar a taxa do imposto corporativo e criar um tributo sobre milionários para financiar serviços públicos, incluindo transporte e assistência infantil gratuitos.

Por sua vez, a governadora Hochul afirmou que não pretende aprovar aumentos de impostos no próximo ano.

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