Secretário de Saúde dos EUA, Robert Kennedy Jr., em um evento na Casa Branca (Josh Edelson/AFP)
Agência de notícias
Publicado em 4 de abril de 2025 às 20h50.
Uma semana depois de anunciar a demissão de 10 mil funcionários do Departamento de Saúde dos EUA, o titular da pasta, Robert Kennedy Jr., reconheceu que ao menos um quinto dos cortes ocorreram “por engano”, e que os funcionários serão chamados novamente.
As demissões foram feitas por determinação do órgão liderado pelo bilionário Elon Musk e encarregado de reduzir o tamanho da máquina pública, mas cujos critérios para definir quem fica e quem vai embora são pouco claros.
Em declarações a jornalistas, Kennedy afirmou que muitos dos postos eliminados exerciam funções em áreas de pesquisa, cuja eliminação poderia afetar a aplicação de políticas públicas de saúde. Segundo ele, a intenção era demitir funcionários de setores administrativos, como recursos humanos e comunicação.
— Pessoal que não deveria ter sido cortado, foi cortado — Kennedy disse aos repórteres na quinta-feira. — Estamos os reintegrando. E esse sempre foi o plano. Parte do DOGE (Departamento de Eficiência Governamental, liderado por Musk), falamos sobre isso desde o começo, é que faremos cortes de 80%, mas 20% deles terão que ser reintegrados, porque cometeremos erros.
O comentário veio após pergunta sobre um programa do Centro de Controle de Doenças (CDC), eliminado na terça-feira, que era responsável pelo monitoramento dos níveis de chumbo no sangue de crianças. Kennedy afirmou que “alguns programas que foram cortados estão sendo restabelecidos, e acredito que esse é um deles".
Anunciados na semana passada, os cortes atingiram inicialmente 3,5 mil funcionários da Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA), 2,4 mil do CDC, 1,2 mil dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e 300 funcionários ligados aos programas Medicare e Medicaid, voltados à população de baixa renda.
Ouvido pela rede CNN. um funcionário da FDA chamou as demissões de “banho de sangue”, apontando que elas atingiam desde funcionários administrativos até pesquisadores e chefes de departamento. Programas como o de monitoramento de contaminação por chumbo também foram eliminados, assim como ações para prevenir e tratar pessoas com pneumoconiose, doença comum na mineração de carvão, e até uma divisão ligada a políticas tabagistas, que era financiada pelas empresas do setor.
Kennedy, um notório antivacina e propagador outras de ideias questionadas pela comunidade científica, não detalhou quais funcionários voltariam ao trabalho imediatamente, mas segundo o Washington Post, a FDA pediu a alguns dos demitidos que voltassem temporariamente aos seus postos, algo que o NIH também planejava.
A intenção do governo era reduzir em até 20 mil postos a força de trabalho do Departamento de Saúde: 10 mil funcionários foram demitidos na semana passada, e outros 10 mil aderiram ou planejam aderir a um programa de demissão voluntária. Mas a admissão de que houve um erro no mapeamento dos cargos a serem eliminados deve mudar os planos.
— E uma das coisas que o presidente Trump disse é que se cometermos erros, vamos admitir e vamos remediar, e esse é um dos erros — afirmou Kennedy, se referindo especificamente ao programa de monitoramento dos níveis de chumbo.
Desde o início do segundo mandato de Trump, o trabalho do DOGE é alvo de pesadas críticas pelo que alguns chamam de falta de critério para definir os cortes de departamentos e agência, além de erros nos processos de desligamento.
Ex-funcionários da Usaid, a agência responsável pela assistência americana ao exterior e desmantelada por Trump, disseram à agência Reuters que os documentos de demissão continham tantos erros que alguns integrantes do departamento de recursos humanos, que foram demitidos, precisaram voltar ao trabalho para corrigi-los.
No mês passado, até o vice-presidente americano, J.D. Vance, reconheceu que Musk e seus subordinados podem ter avançado o sinal em mais de uma ocasião.
— O próprio Elon disse que às vezes você faz algo, comete um erro e então desfaz o erro. Eu aceito erros — afirmou à rede NBC. — Há muitas pessoas boas que trabalham no governo, muitas pessoas que estão fazendo um trabalho muito bom.