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Tarifa de Trump vai gerar 'impactos severos' sobre empregos no Brasil, diz Amcham

Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos divulgou nota sobre a nova cobrança e pediu reforço do diálogo

Donald Trump: o presidente dos EUA anunciou a aplicação de uma tarifa de 50% sobre todas as importações do Brasil (Win McNamee/AFP)

Donald Trump: o presidente dos EUA anunciou a aplicação de uma tarifa de 50% sobre todas as importações do Brasil (Win McNamee/AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de macroeconomia

Publicado em 9 de julho de 2025 às 19h30.

Última atualização em 9 de julho de 2025 às 19h32.

A nova tarifa de 50% imposta pelo presidente Donald Trump aos produtos brasileiros poderá causar danos graves à economia, disse a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham).

"A Amcham Brasil manifesta profunda preocupação com a decisão anunciada pelo governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras. Trata-se de uma medida com potencial para causar impactos severos sobre empregos, produção, investimentos e cadeias produtivas integradas entre os dois países", afirma a entidade, em nota.

A instituição tem participado das negociações entre os dois países para tentar reverter as tarifas contra o Brasil, que estão sendo aumentadas desde o começo do ano. Em abril, o Brasil passou a pagar uma taxa extra de 10%, além de tarifas sobre produtos determinados, como aço e alumínio, taxados em 50% desde junho.

"A Amcham Brasil conclama os governos a retomarem, com urgência, um diálogo construtivo. Reiteramos a importância de uma solução negociada, fundamentada na racionalidade, previsibilidade e estabilidade, que preserve os vínculos econômicos e promova uma prosperidade compartilhada", diz o comunicado.

Na nota, a entidade destaca ainda que o comércio bilateral foi superavitário para os Estados Unidos ao longo dos últimos 15 anos — com saldo de US$ 29,2 bilhões em 2024, segundo dados oficiais norte-americanos.

Leia aqui a íntegra da carta

Balança comercial Brasil-EUA

Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Em 2024, o país vendeu cerca de US$ 40 bilhões em produtos aos Estados Unidos. Ao considerar todos os países, o Brasil exportou US$ 337 bilhões em mercadorias, de modo que os EUA representam cerca de 12% do total das vendas brasileiras. 

Os itens mais vendidos aos EUA foram:

  • Óleos brutos de petróleo
  • Produtos semi-acabados de ferro ou aço
  • Aeronaves e suas partes
  • Café não torrado
  • Ferro-gusa, e ferro-ligas
  • Óleos combustíveis de petróleo
  • Celulose
  • Equipamentos de engenharia civil
  • Sucos de frutas ou de vegetais
  • Carne bovina
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