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Tarifaço de Trump passa a valer neste sábado; entenda impactos

Os países que serão cobrados com percentual acima do mínimo começam a pagar o adicional na próxima quarta-feira, 9

Donald Trump: consumidores americanos também devem sentir os impactos da medida (Foto: SAUL LOEB / AFP)

Donald Trump: consumidores americanos também devem sentir os impactos da medida (Foto: SAUL LOEB / AFP)

Publicado em 5 de abril de 2025 às 11h19.

Última atualização em 5 de abril de 2025 às 11h49.

A taxa mínima de 10% estabelecida pelo 'tarifaço' do presidente Donald Trump para importações passa a valer neste sábado, 5.

Trump implantará tarifas recíprocas contra países que taxam os Estados Unidos. O percentual mínimo será de 10%, e cada país terá uma taxa diferenciada.

Os países que serão cobrados com percentual acima do mínimo começam a pagar o adicional na próxima quarta-feira, 9.

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O Brasil faz parte do grupo que irá pagar a tarifa mínima de 10%. Na sexta-feira, 4, os impactos no cenário nacional já eram observados com a queda de 2,96% do Ibovespa.

Um levantamento do banco BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) prevê que o impacto negativo pode variar de US$ 3 bilhões a US$ 10 bilhões por ano na balança comercial com os Estados Unidos.

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Impacto para consumidores americanos

As novas medidas anunciadas por Trump no chamado "Dia da Libertação" também já reverberaram no mercado interno dos Estados Unidos. Wall Street fechou em queda de quase 6% na sexta-feira, 4, e há uma estimativa de quase US$ 10 trilhões em perdas desde a posse do republicano.

Em nota, o banco JPMorgan Chase aumentou de 40% a 60% as chances de uma recessão global. Os economistas do banco estimam que o aumento das tarifas elevou a taxa média de impostos nos EUA em cerca de 22 pp., resultando em uma carga tributária equivalente a 2,4% do PIB do país.

Analistas preveem que os consumidores americanos também devem perceber aumentos nos preços a curto prazo. Itens do cotidiano como café e açúcar podem ficar mais caros.

Um estudo realizado por um centro de pesquisa da Universidade de Yale aponta que o preço dos carros, moradia e roupas também pode subir nos Estados Unidos e afetar principalmente as famílias mais pobres, que podem perder até 5,5% do seu capital.

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Tecnologia em risco

No mercado da tecnologia, os smartphones e jogos também podem ter alta nos preços. Mesmo com o alerta do governo americano para que os parceiros comerciais não respondessem as novas medidas, Pequim anunciou tarifas aduaneiras adicionais de 34% para os produtos dos EUA. A medida deve entrar em vigor a partir da próxima quinta-feira, 10.

Segundo a Reuters, caso o aumento do custo de produção causado pelas taxas seja repassado aos clientes, o valor do iPhone 16 Pro Max pode aumentar de US$ 1.599 para US$ 2.300 para os consumidores americanos. O reajuste foi calculado com base em projeções da Rosenblatt Securities.

A alta das tarifas deve impactar diretamente a Apple, pois 90% dos aparelhos são fabricados na China. Fontes ouvidas pela EXAME indicam que a gigante de smartphones estuda ampliar a montagem de iPhones no Brasil para contornar o 'tarifaço'.

Exceções do 'tarifaço'

O México e o Canadá, parceiros dos EUA no Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC), ficaram de fora da lista de países que serão afetados pelas novas medidas de taxação determinadas pelo governo Trump. Para eles, serão mantidos os percentuais de até 25% definidos em janeiro, mas isso deve ser revisado no futuro.

Em relação aos produtos, ficam de fora nas novas tarifas o aço, alumínio, carros e autopeças, cujas taxas foram recentemente reajustadas para 25%. Além deles, outras condições também serão aplicadas para:

  • Cobre, produtos farmacêuticos, semicondutores e madeira;
  • Energia e minerais especiais não disponíveis nos EUA;
  • Barras de ouro e prata;
  • Artigos incluídos na Seção 232;
  • Artigos incluídos na regulação.
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