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iPhone mais caro? Tarifas de Trump podem encarecer smartphone da Apple em 40% nos EUA

Maioria dos smartphones da Apple são produzidas na China, que foi atingida por uma tarifa de 54% pelo governo norte-americano

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 4 de abril de 2025 às 06h01.

Última atualização em 4 de abril de 2025 às 06h25.

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O iPhone pode ficar muito mais caro após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor uma série de tarifas de importação a países ao redor do mundo, nesta quarta-feira, 2.

A medida deve alterar drasticamente o cenário do comércio global e bens de consumo como os smartphones da Apple podem estar entre os mais atingidos, com aumentos de 30% a 40% se a companhia repassar o custo aos consumidores, segundo a agência Reuters.

A maioria dos iPhones ainda é produzida na China, que foi atingida por uma tarifa de 54% pelo governo norte-americano. Se essas taxas persistirem, a Apple pode enfrentar um complicado dilema: absorver a despesa extra ou repassá-la aos compradores.

As ações da empresa caíram mais de 8% após os anúncios de tarifas, marcando o pior dia de resultados da empresa desde setembro de 2020. A Apple vende mais de 220 milhões de iPhones por ano e seus maiores mercados incluem os Estados Unidos, China e Europa.

iPhone nos EUA: de US$ 799 para US$ 1.142

O modelo mais barato do iPhone 16 foi lançado nos EUA com um preço de etiqueta de US$ 799, mas pode custar até US$ 1.142, segundo projeções de analistas da agência americana Rosenblatt Securities, fornecida à Reuters. Os dados apontam que o custo pode aumentar em 43%.

Um iPhone 16 Pro Max, por exemplo, com tela de 6,9 ​​polegadas e 1 terabyte de armazenamento, que atualmente é vendido a US$ 1.599, pode custar quase US$ 2.300 se um aumento de 43% for repassado aos consumidores.

Trump impôs tarifas sobre uma ampla gama de importações chinesas em seu primeiro mandato como presidente para pressionar as empresas americanas a trazer a fabricação de volta para os Estados Unidos ou para países próximos, como o México, mas a Apple garantiu isenções ou isenções para vários produtos. Desta vez, ele ainda não concedeu nenhuma isenção.

O iPhone 16e, lançado em fevereiro como um ponto de entrada mais barato para o conjunto de recursos de inteligência artificial da Apple, custa US$ 599. Um aumento de 43% no preço pode elevar esse custo para US$ 856. Os preços de outros dispositivos da Apple também podem aumentar.

iPhones em baixa

No entanto, outros analistas notaram que as vendas do iPhone têm fracassado nos principais mercados da empresa, já que o Apple Intelligence, um conjunto de recursos que ajuda a resumir notificações, reescrever e-mails e dar aos usuários o acesso ao ChatGPT, não conseguiu empolgar os compradores.

Especialistas consideram que os recursos, embora inovadores, não fornecem um motivo convincente o suficiente para justificar a atualização para modelos mais novos.

A estagnação na demanda pode colocar pressão adicional nos resultados da Apple, especialmente se os custos aumentarem devido às tarifas.

Mesmo com parte da produção se mudando para o Vietnã e a Índia, a maioria dos iPhones ainda é fabricada na China, e esses países também não foram poupados das tarifas, com o Vietnã recebendo uma taxa de 46% e a Índia chegando a 26%.

A Apple precisaria aumentar seus preços em pelo menos 30% em média para compensar as taxas de importação, explicou o cofundador da Counterpoint Research, Neil Shah, em entrevista à agência de notícias.

Um aumento de preço potencialmente acentuado pode reduzir a demanda pelo smartphone e dar à Samsung, da Coreia do Sul, uma nova vantagem, já que o país asiático enfrenta tarifas mais baixas do que a China.

Veja os países que serão taxados pelos EUA

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