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Temor de deportação no governo Trump leva portadores de 'green card' a evitar viagens ao exterior

Portadores de green card nos EUA estão evitando viajar devido ao receio de medidas de deportação do governo Trump

Imagem de um aeroporto nos EUA, com foco em passageiros em filas de imigração ou mostrando placas de controle de passaporte. (Mandel Ngan/AFP)

Imagem de um aeroporto nos EUA, com foco em passageiros em filas de imigração ou mostrando placas de controle de passaporte. (Mandel Ngan/AFP)

Agência o Globo
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Agência de notícias

Publicado em 2 de abril de 2025 às 12h18.

Última atualização em 2 de abril de 2025 às 12h28.

As recentes detenções de portadores de visto de residência permanente — o famoso green card — nos Estados Unidos têm gerado temor entre estrangeiros. Muitos deles passaram a evitar viagens internacionais com medo de serem alvos das políticas de deportação do governo do presidente Donald Trump, aponta uma reportagem do jornal americano Washington Post.

Advogados de imigração, como Pouyan Darian, anteriormente asseguravam aos residentes permanentes legais que viagens ao exterior não colocariam seu status em risco. No entanto, após incidentes recentes, Darian revisou sua orientação, alertando que as viagens podem expor os indivíduos a uma maior fiscalização ao reentrarem nos EUA.

Casos como as detenções de ativistas universitários em Nova York, um cidadão alemão retornando à Nova Inglaterra e uma mulher filipina em Seattle, todos portadores de green card, aumentaram a ansiedade entre os mais de 12 milhões de residentes permanentes legais no país. Esses incidentes, embora poucos, causaram rumores nas redes sociais, levaram portadores de green card a cancelar planos de viagem e geraram uma enxurrada de ligações frenéticas para advogados de imigração, de acordo com o Washington Post.

A intensificação das ações do governo Trump

O governo Trump, insatisfeito com o ritmo das deportações, intensificou suas ações, incluindo a deportação de 238 migrantes para uma megaprisão em El Salvador sem o devido processo legal. A postura sugere uma nova fase na repressão à imigração, possivelmente afetando até mesmo aqueles com status legal.
Analistas disseram que não deveria ser surpresa que o governo estaria disposto a mirar em portadores de green cards. Em seu primeiro mandato, Trump cortou drasticamente o número de licenças emitidas pelo governo dos EUA ao longo de quatro anos em mais de 418 mil, em comparação com o segundo mandato do presidente Barack Obama, de acordo com uma análise do libertário Cato Institute.

Lavando as mãos: Homem é deportado e preso por engano em El Salvador após ‘erro administrativo’, diz governo dos EUA. David J. Bier, diretor de estudos de imigração do Instituto Cato, observa que a administração Trump está deixando claro que não vê distinção entre categorias de não cidadãos e que qualquer um pode ser alvo de deportação se contrariar seus objetivos.

Medos e incertezas entre residentes permanentes

Hilton Beckham, comissário assistente da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, afirmou que a administração está aplicando as leis de imigração e que portadores de green card sem antecedentes criminais ou fraudes não devem temer ao entrar ou sair do país.
Advogados de imigração relatam um aumento nas consultas de portadores de green card, muitos optando por cancelar viagens ao exterior, incluindo férias e funerais familiares, devido ao medo de não conseguirem retornar.

Tradicionalmente, residentes permanentes legais desfrutam de amplos direitos, podendo viver e trabalhar nos EUA e viajar ao exterior, desde que não enfrentem acusações criminais ou permaneçam fora por períodos prolongados. Entretanto, eventos recentes, como a detenção de uma estudante de enfermagem de 23 anos no Aeroporto Internacional de Los Angeles após o funeral de sua mãe no Laos, aumentaram as preocupações.

Em março, a detenção de Mahmoud Khalil, líder de protestos na Universidade de Columbia, acusado de apoiar o Hamas, e de Fabian Schmidt, residente permanente desde 2008, retornando de uma viagem à Alemanha, intensificaram os temores. Schmidt, ainda de acordo com o Washington Post, teria sido pressionado a assinar um documento renunciando ao seu status de residente permanente e aguarda audiência em junho.

"Como estávamos aterrorizados, completamente assustados", disse Joshua Goldstein, um advogado de imigração de Los Angeles. "Estou até recebendo perguntas de cidadãos dos EUA perguntando: 'Posso viajar?'"

Goldstein destacou a aparição do vice-presidente JD Vance na Fox News em 13 de março, na qual, questionado sobre a prisão de Khalil, ele afirmou que os portadores de green card não "têm o direito indefinido de estar nos Estados Unidos da América". Vance disse que a questão, em sua essência, não é sobre liberdade de expressão ou segurança nacional, mas representa um debate fundamental sobre quem tem permissão para fazer parte da sociedade americana.

Especialistas jurídicos, no entanto, afirmam que é cedo para avaliar a extensão das ações do governo contra residentes permanentes legais. Mas, de fato, a agressividade das medidas de fiscalização aumentou a ansiedade entre esses indivíduos.

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