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Terremoto em Mianmar já deixa mais de mil mortos

O terremoto foi muito intenso porque ocorreu em pouca profundidade e foi sentido a 1.000 km do epicentro, em Bangcoc, capital da Tailândia

Mianmar: Em Mandalay, uma cidade com mais de 1,7 milhão de habitantes, mais de 90 pessoas podem estar soterradas nos escombros de um prédio residencial de 12 andares (Lillian SUWANRUMPHA/AFP)

Mianmar: Em Mandalay, uma cidade com mais de 1,7 milhão de habitantes, mais de 90 pessoas podem estar soterradas nos escombros de um prédio residencial de 12 andares (Lillian SUWANRUMPHA/AFP)

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Publicado em 29 de março de 2025 às 09h29.

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Mais de 1.000 pessoas morreram em Mianmar no terremoto de magnitude 7,7 que atingiu a região nesta sexta-feira (29) e também afetou severamente a Tailândia, de acordo com um novo número oficial. 

O terremoto, cujo epicentro foi a cidade birmanesa de Sagaing, ocorreu às 6h20 GMT (03h20 em Brasília) de sexta-feira, seguido minutos depois por um tremor secundário de magnitude 6,4, posteriormente revisado para 6,7.

Em Mianmar, o desabamento de casas, prédios, pontes e centros religiosos gera temores de um grande número de vítimas, em um país já severamente afetado por um conflito civil que começou com o golpe de Estado da junta militar, em 2021.

O terremoto foi muito intenso porque ocorreu em pouca profundidade e foi sentido a 1.000 km do epicentro, em Bangcoc, capital da Tailândia.

Em Mianmar, o último balanço oficial é de 1.007 mortos e 2.389 feridos, informou a junta neste sábado, a maioria na região de Mandalay, a segunda maior cidade do país. No entanto, o saldo pode ser muito maior.

Em Mandalay, uma cidade com mais de 1,7 milhão de habitantes, mais de 90 pessoas podem estar soterradas nos escombros de um prédio residencial de 12 andares, de acordo com a Cruz Vermelha.

Jornalistas da AFP na cidade também viram um pagode centenário reduzido a escombros.

"O mosteiro também desabou. Um monge morreu", explicou um soldado, temendo outro terremoto. "Nunca senti nada assim na minha vida".

Perto do aeroporto de Mandalay, agentes de segurança impediam o acesso. "O teto desabou, mas ninguém ficou ferido", explicaram.

O fechamento do aeroporto pode complicar as operações de resgate em um país onde a guerra dizimou o sistema de saúde e isolou seus líderes do resto do mundo.

O presidente da Junta, Min Aung Hlaing, pediu assistência internacional e convidou "qualquer país, qualquer organização" a vir e ajudar.

Ajuda internacional

As autoridades declararam estado de emergência nas seis regiões mais afetadas.

Em um hospital na capital, Naypyidaw, centenas de feridos tiveram que ser tratados do lado de fora devido aos danos ao prédio, relataram jornalistas da AFP.

Um avião da Índia carregando kits de higiene, cobertores e alimentos pousou em Yangon neste sábado. A China anunciou o envio de 82 socorristas.

A Coreia do Sul, a Organização Mundial da Saúde e a Malásia também se mobilizaram.

"Nós os ajudaremos (...) É terrível o que está acontecendo", disse o presidente dos EUA, Donald Trump, na sexta-feira, e o presidente chinês, Xi Jinping, expressou "sua profunda tristeza" em uma mensagem ao líder da junta.

Agências humanitárias alertam que Mianmar não está preparada para um desastre dessa magnitude.

O conflito civil deslocou cerca de 3,5 milhões de pessoas, de acordo com as Nações Unidas, que estimaram antes do terremoto que 15 milhões de birmaneses corriam o risco de morrer de fome em 2025.

Em Bangcoc, capital da vizinha Tailândia, as equipes de resgate trabalharam a noite toda para procurar sobreviventes nos escombros de um prédio de 30 andares em construção, que desabou em segundos.

O governador da cidade, Chadchart Sittipunt, disse à AFP que uma dúzia de pessoas morreram na capital tailandesa, a maioria delas na área do prédio em construção, mas alertou que o número pode aumentar.

As autoridades da cidade receberam mais de 2.000 relatos de danos e mobilizaram mais de 100 especialistas para verificar a solidez dos edifícios.

Cerca de 400 pessoas passaram a noite em parques porque suas casas não eram seguras, de acordo com o governador. Uma mulher teve que dar à luz ao ar livre após ser retirada de um hospital e um cirurgião continuou operando um paciente na rua depois de ter que deixar a sala de cirurgia com urgência, disse um porta-voz à AFP.

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