Arquipélago sobrevive da pesca e recebe subsídios da União Europeia (CHANTAL BRIAND/AFP via Getty Images)
Repórter
Publicado em 4 de abril de 2025 às 01h00.
O anúncio do tarifaço de Donald Trump fez os mercados desabaram. Nos EUA, as bolsas do país tiveram o pior dia desde março de 2020, no início da pandemia. O papel da GAP afundou 20%. Empresas de tecnologia como Apple e Nvidia perderam 9,25% e 7,8%, respectivamente.
A lista de Trump atingiu mais de 180 países e territórios, com algumas sobretaxas que ainda devem causar estragos à economia global, como os 54% contra China ou os 46% do Vietnã, dois importantes produtores de eletrônicos para companhias como a própria Apple.
Chamou a atenção, porém, quem recebeu a maior taxa recíproca, de 50%. Foi o arquipélago de Saint-Pierre e Miquelon, um pedaço da França na América do Norte. Fica apenas a 25 quilômetros da costa canadense de Terra Nova. Segundo os últimos dados demográficos, menos de 6 mil pessoas moram lá. Mas por que será que Donald Trump resolve aplicar uma tarifa tão pesada nesse território francês?
Historicamente dependente da pesca, Saint-Pierre e Miquelon vem recebendo desde 2021 um programa de auxílio da Comissão Europeia que deve totalizar 27 milhões de euros até 2027.
Já as medidas comerciais de Trump foram calculadas com base no déficit dos EUA com cada país ou território, que é o caso de Saint-Pierre e Miquelon . Os EUA importaram US$ 3,4 milhões em mercadorias do território francês no ano passado, enquanto Saint Pierre e Miquelon importou US$ 100.000 dos EUA, de acordo com números U.S. Census Bureau.
No ano passado, o déficit dos EUA com a França foi de US$ 16,1 bilhões, segundo dados do mesmo órgão. Para se ter uma ideia, o maior déficit dos EUA é com a China, no valor de US$ 295,4 bilhões.
Em 2024, o arquipélago registrou um aumento no número de visitantes, especialmente com a retomada das escalas de cruzeiros em Miquelon-Langlade após 13 anos. Eventos culturais, como as celebrações do Dia da Bastilha em 14 de julho, atraem tanto moradores locais quanto turistas.
Apesar dos esforços para diversificar a economia e promover o turismo, Saint-Pierre e Miquelon enfrenta desafios, incluindo a dependência de subsídios europeus e a necessidade de modernizar infraestruturas para atrair mais visitantes.
Com a nova tarifa recíproca de 50%, resta a pergunta se o pequeno território francês vizinho do Canadá pode ter fôlego para se tornar um destino turístico de destaque.