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Trump anuncia que vai retirar sanções contra a Síria durante fórum na Arábia Saudita

O sinal positivo ao novo regime sírio vem em um momento de tensão particularmente elevado do país e o Estado judeu

Donald Trump: presidente dos EUA durante fórum na Arábia Saudita (Brendan SMIALOWSKI/AFP)

Donald Trump: presidente dos EUA durante fórum na Arábia Saudita (Brendan SMIALOWSKI/AFP)

Agência o Globo
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Agência de notícias

Publicado em 13 de maio de 2025 às 16h59.

Última atualização em 13 de maio de 2025 às 18h55.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que irá retirar as sanções econômicas contra a Síria, onde um novo governo liderado por ex-integrantes de grupos armados com histórico jihadista tenta se estabelecer no poder após a queda do ex-ditador Bashar al-Assad. O anúncio foi feito durante a participação do republicano em um fórum de investidores realizado na Arábia Saudita, com a presença do príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, a quem o presidente americano disse ter ouvido ao tomar a decisão.

"Há um novo governo que, com sorte, conseguirá estabilizar o país e manter a paz. É isso que queremos ver na Síria", disse Trump, acrescentando que tomou a decisão após conversar com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e com Salman. "Ordenarei o fim das sanções à Síria. Ah, o que eu faço pelo príncipe herdeiro!"

O anúncio de Trump atraiu aplausos entusiasmados da plateia do fórum em Riad, que reuniu membros da elite empresarial mundial e da família real saudita. A comitiva americana incluiu o magnata Elon Musk, além de presidentes-executivos de empresas como IBM, BlackRock, Citigroup, Palantir e Nvidia. Antes da aparição no evento, Trump e Salman assinaram acordos para uma "parceria econômica estratégica", que a Casa Branca disse ter valores de US$ 600 bilhões (R$ 3,3 trilhões no câmbio atual).

O anúncio sobre a Síria acontece em meio à viagem de Trump pelo Oriente Médio — primeira viagem oficial do presidente americano, a exceção da ida ao Vaticano para o funeral do Papa Francisco —, numa agenda que chamou a atenção pela ausência de Israel, principal aliado americano na região, no roteiro oficial. Analistas ouvidos pela imprensa americana afirmaram que a exclusão pode ser um sinal ao premier israelense, Benjamin Netanyahu, que tem se negado a assinar um acordo de paz em Gaza, algo que Trump disse que conseguiria rapidamente após o cessar-fogo do começo do ano.

Fontes ouvidas pelo New York Times afirmam que Trump concordou em "cumprimentar" al-Sharaa, ex-líder do Hayet Tahrir al-Sham (HTS), grupo armado que em sua origem teve vínculos com a al-Qaeda, durante sua passagem por Riad, na quarta-feira.

O gesto, que parece muito mais ao regime saudita do que ao novo governo sírio, não representa uma mudança completa do alinhamento entre EUA e Israel. Em certo momento da apresentação no fórum, Trump declarou seu "desejo fervoroso" de que a Arábia Saudita aderisse aos Acordos de Abraão, plano patrocinado por ele em 2020, por meio do qual Emirados Árabes Unidos e Bahrein estabeleceram relações diplomáticas com Israel.

A plateia ficou em silêncio quando o presidente americano defendeu a normalização com Israel, algo que é desejado pelo Estado judeu, mas é profundamente impopular entre os sauditas, com autoridades do país defendendo que qualquer acordo neste sentido deve estar vinculado à criação de um Estado palestino. Trump também reafirmou uma posição hostil ao Hamas, sem mencionar o grupo, que é seguida pelo governo israelense.

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