Giresse Contini, diretor de Serviços de Crédito da Serasa Experian: “Queremos que o mercado de crédito evolua na mesma velocidade da tecnologia” (Serasa Experian/Divulgação)
Repórter de Negócios
Publicado em 4 de abril de 2025 às 08h47.
A taxa de juros alta e o aumento do endividamento tornaram o crédito um recurso escasso — e caro — no Brasil. Bancos e empresas estão mais seletivos e cautelosos. Para liberar crédito, precisam de informação confiável. Mas estimar a renda real do consumidor brasileiro sempre foi um desafio.
A Serasa Experian acaba de lançar a quarta geração da sua solução de análise de renda, o Renda 4.0, que promete destravar até 21 bilhões de reais em crédito no país. O número vem de um ganho de 45% na acurácia da nova tecnologia, que agora cruza mais dados e entrega também informações sobre a origem da renda, capacidade de pagamento e comprometimento financeiro.
A empresa aposta que o novo modelo pode melhorar significativamente a tomada de decisão de crédito em setores como varejo, bancos, fintechs e até na venda a prazo. A novidade vem em um momento em que o mercado está pressionado por inadimplência elevada e crédito restrito.
“A gente está num momento onde a economia tem juros altos e pouco crédito disponível. As empresas estão muito mais seletivas. A nossa missão é entregar informação precisa para melhorar essas decisões”, afirma Giresse Contini, diretor de Serviços de Crédito da Serasa Experian.
A expectativa da empresa é que a tecnologia tenha um impacto direto na expansão de crédito no país — especialmente ao reduzir riscos para quem concede. O modelo identifica com mais precisão a renda disponível de cada consumidor e redistribui os perfis em faixas mais condizentes com a realidade, o que pode beneficiar também quem tem renda informal.
A nova versão cruza mais bases de dados e usa modelos de machine learning com maior poder de processamento. “É um misto de mais dados e melhor tecnologia. A gente precisa estimar menos e acerta mais”, diz Contini.
Além disso, a Serasa passou a integrar dados diretamente dos consumidores que usam o aplicativo da empresa. Lá, usuários podem consentir o compartilhamento de informações como extrato do FGTS, rendimento de apps como Uber e iFood, além de dados bancários. “Esses dados acabam contribuindo para chegarmos mais perto da renda real de cada um”, afirma o executivo.
O salto de precisão é mais visível nas faixas de renda mais altas: para quem ganha acima de 30.000 reais por mês, o modelo teve um aumento de 1.525% na acurácia. Mas todas as faixas tiveram melhora, com destaque para rendas entre 5.000 e 20.000 reais, que subiram mais de 100%.
As empresas podem acessar o Renda 4.0 por diferentes canais: via plataforma web, por API, por envio de base de dados para enriquecimento ou integrando na esteira de crédito das soluções da própria Serasa. A versão premium, chamada de Renda+, oferece ainda mais detalhes, como a origem da renda — se é salário, benefício, trabalho autônomo ou empresa própria.
Segundo Contini, isso permite uma análise mais precisa de crédito em diferentes contextos. “O consumidor pode ter um score alto, mas estar com a renda quase toda comprometida. Ou pode estar com baixa utilização de crédito e ter capacidade para tomar mais. Essa visão muda tudo.”
A estimativa de 21 bilhões de reais destravados em crédito considera o potencial de concessão para consumidores adimplentes, com base na nova precisão de análise do Renda 4.0. O valor representa 1,8% do PIB nacional.
Mesmo assim, o cenário macro segue complexo. “A Selic alta dificulta a tomada de crédito. Os bancos estão liberando menos recursos. Ter informação para tomar boas decisões virou essencial”, diz Contini. Ele destaca que o comprometimento de renda é um dos indicadores mais importantes nesse contexto.
“Um score alto não quer dizer tudo. Se o comprometimento de renda do cliente sobe muito, pode ser um sinal de alerta. E o contrário também vale: se ele está pagando tudo em dia e diminuindo o comprometimento, talvez seja hora de oferecer mais crédito”, afirma.
Com a descontinuação das versões anteriores do produto até agosto de 2025, a Serasa pretende manter uma lógica de atualização contínua, no estilo “versionamento ágil”, como em softwares. “Queremos que o mercado de crédito evolua na mesma velocidade da tecnologia”, diz Contini.