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Aos 37, brasileiro constrói um dos maiores prédios de Miami com investimento de US$ 600 milhões

O Absolute One terá 160 suítes de hotel e 300 unidades residenciais, e, além de ser o prédio mais alto do centro, contará com a piscina mais alta dos Estados Unidos e uma heliponto exclusivo

Laura Pancini
Laura Pancini

Repórter

Publicado em 5 de abril de 2025 às 07h34.

Última atualização em 5 de abril de 2025 às 08h08.

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Desde cedo, o brasileiro João Souza entendeu o valor de transformar visão em escala. Aos 13 anos, começou a vender paraquedas artesanais nas praias do Rio de Janeiro para conseguir uma renda extra. Filho de uma professora e um sargento, ganhava R$ 1 por produto e juntava tudo para comprar pipas depois.

Alguns anos depois, já formado na faculdade de Administração, ainda tinha vontade de construir algo próprio. Abriu uma empresa de logística e aprendeu a arte de escalar negócios, ainda que os desafios fossem constantes. Tudo mudou quando, em 2018, ele comprou uma casa na Flórida e decidiu se mudar para os Estados Unidos.

Hoje, muitos lotes depois, Souza está à frente de um dos projetos mais ambiciosos do mercado imobiliário americano. Aos 37 anos, o brasileiro radicado nos Estados Unidos é dono da 4 Hands Real Estate. A empresa de projetos de mercado imobiliário está construindo o Absolute One, um empreendimento de US$ 600 milhões que promete ser um marco no centro de Miami.

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Previsto para ser entregue em 2028, o Absolute One será o prédio mais alto no bairro de Downtown Miami, com 300 metros de altura. Também contará com 88 andares, 160 suítes, 300 unidades residenciais e "a maior piscina" dos Estados Unidos.

"Estamos criando mais de mil empregos diretos e indiretos", afirma o empresário. "Esse projeto é ideal para quem deseja investir em imóveis de alto padrão, seja para residência ou hospedagem".

Por que agora?

O estado da Flórida tem atraído cada vez mais empresas e famílias americanas, especialmente de Nova York e Califórnia, devido aos impostos mais baixos e ao custo de vida reduzido. Somente Miami deve atingir 7 milhões de habitantes até o final de 2025.

A Flórida também tem se destacado como um novo polo político e econômico nos Estados Unidos. Com Donald Trump usando Mar-a-Lago, em Palm Beach, como sua base pessoal e política, o estado ganhou influência na cena nacional.

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Paralelamente, Miami tem se transformado em um dos maiores polos de startups e tecnologia dos EUA, atraindo empresas e investidores que antes se concentravam no Vale do Silício. O movimento ganhou força durante a pandemia, impulsionado pela busca por um ambiente regulatório mais flexível e incentivos fiscais mais vantajosos.

Em 2024, as vendas de imóveis acima de US$ 1 milhão em Miami cresceram 50,9%, e o preço médio de venda de imóveis na cidade subiu 7,3% em março de 2025, alcançando US$ 580.300.

"O mercado deu uma leve retração antes das eleições presidenciais, mas a economia dos Estados Unidos é “blindada” – mudanças levam tempo. Agora, com a expectativa de juros mais baixos, o mercado está retomando o crescimento", diz o brasileiro.

A jornada até o Absolute One

A história de João Souza não começou nos altos edifícios de Miami. Antes de se tornar um nome no mercado imobiliário dos Estados Unidos, Souza enfrentou uma série de desafios no Brasil.

Após fundar uma empresa de logística no país, ele aprendeu a lidar com crises e a escalar negócios. Essa experiência o preparou para a transição para os Estados Unidos em 2018, onde inicialmente comprou uma única casa em Orlando.

"Adquiri o imóvel pensando em ser a casa de férias da minha família. Só que decidi me mudar para os Estados Unidos, a fim de expandir meus negócios", diz o executivo.

Em poucos anos, a visão estratégica de Souza o levou a administrar mais de cem propriedades, antes de fundar o Empire Group, um conglomerado com empresas nos setores de aviação, imobiliário, editorial e financeiro. Só a 4 Hands já construiu mil casas com valor aproximado de US$ 120 mil.

Fazem parte do grupo: a 4 Hands Capital, a 4 Hands Realty e a Asap que, de forma geral, pertencem ao setor imobiliário; a King Solar US, de produtos de energia solar; a Black Eagle, de voos em jatos particulares, e a Business Office, plataforma de negócios e investimentos imobiliários.

Com US$ 122 milhões em faturamento em 2024, o Empire Group tem previsão de atingir US$ 235 milhões em 2025.

Com planos de expandir para Nova York e Portugal, Souza vê no Absolute One um modelo que será replicado em outras cidades globais. "O Absolute One é só o começo. Estamos trazendo algo para Miami que se tornará um modelo em outras partes do mundo. O mercado de luxo está em alta e a tendência é que isso continue", afirma.

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