Rosa Alba Bernhoeft, fundadora da Alba Consultoria: “Sou feliz com meus 85 anos, e isso inspira outras pessoas a entenderem que a vida não acaba aos 50"
Jornalista especializada em carreira, RH e negócios
Publicado em 4 de abril de 2025 às 15h00.
Última atualização em 4 de abril de 2025 às 15h15.
“A idade é só um número. O que importa é como você usa o tempo que possui”, afirma a peruana Rosa Alba Bernhoeft, fundadora da Alba Consultoria. Aos 85 anos, ela segue à frente da empresa que criou em 1974 com a mesma energia e inquietação que a impulsionou a romper barreiras e inovar ao longo do tempo.
Ela nunca aceitou viver nos limites impostos pela sociedade e sempre explorou territórios desconhecidos, mesmo que parecessem arriscados. “Vim de uma família muito controladora, o que fez com que eu buscasse autonomia e oportunidades diferentes das que o mundo oferecia. Costumo dizer que o inconformismo criativo é a força que me move”, diz.
Formada em educação e engenharia, com certificação em coach pela Central Christian University (CCU) e especialização em psicologia social e organizacional, foi pioneira na introdução do mentoring no Brasil e na aplicação de iniciativas voltadas para o capital humano.
Essa base deu origem à Alba Consultoria, que desenvolve conceitos, tecnologias e metodologias para gestão de carreira e competências, além de treinamentos e desenvolvimentos. É autora do Sistema SEE — utilizado para identificar potencial, perfis de competências e estratégia de gestão — e de livros como Mentoring: Prática & Casos (2013) e A Sucessão na Estratégia de Negócios (2019). A consultoria tem atuação na América Latina, Estados Unidos e Europa, e já atendeu empresas como Renner, Bradesco, Samsung e Sanofi.
Para Rosa, a maturidade não é uma barreira, mas um acúmulo de riquezas — experiência, aprendizados e visão ampla. “O tempo é um recurso, não um inimigo”, afirma.
Natural do Peru, Rosa chegou ao Brasil sem recursos, mas com uma bagagem valiosa: a experiência de ter trabalhado em cooperativas para famílias carentes. Em 1968, participou da fundação do Centro de Orientação da Família (Cof), uma das primeiras ONGs voltadas para mulheres em situação de vulnerabilidade no Brasil.
“O instituto foi o ponto de partida para a construção da minha trajetória, em que uni a necessidade de sobrevivência com o cuidado às pessoas e a busca por soluções para os desafios do contexto.”
Nesse caminho, conheceu um mentor que a ajudou a ampliar sua atuação. “Lembro até hoje o que ele perguntou: ‘O que você, realmente, quer mudar?’. A partir desse questionamento, tudo fez sentido. Minha motivação sempre foi não ter medo do novo, seja criando cooperativas, seja desafiando padrões, seja inventando métodos – é isso que me mantém em movimento até hoje”.
A conversa com o mentor foi decisiva para estruturar ideias e criar uma consultoria com propostas inéditas para a época.
Para manter a empresa competitiva por cinco décadas, Rosa destaca três pilares essenciais:
Para ela, envelhecer dentro de uma empresa é reinventar-se constantemente. “A base é não parar de questionar e aprender, porque o mercado e as pessoas mudam e precisamos acompanhar as mudanças.”
Mesmo com os resultados entregues ao longo de 50 anos, Rosa ainda enfrenta preconceitos. A maior parte de sua clientela — cerca de 80% — é composta por homens. “Passei por momentos de discriminação, seja pela minha origem indígena, seja pela cor da minha pele, seja pelo fato de ser mulher. Até minha altura já foi motivo de julgamento, simplesmente por eu ser pequena. Porém, nunca permiti que isso me definisse”, ressalta.
Rosa acredita que sua identidade é um ponto de força, não de limitação. “Criei cinco filhos, administrei uma família e construí acordos equilibrados com meu parceiro, sem me ver como uma exceção, mas sim como alguém que priorizava resolver problemas com clareza e eficiência”.
Outro aspecto essencial é a troca de experiências entre gerações. “Claro que muitos ainda dizem: ‘Ela já está velha, ultrapassada’, mas isso não me abala. Se não conheço uma expressão ou tecnologia, pergunto aos meus netos. A troca é fundamental”.
Cheia de planos, Rosa quer democratizar o conhecimento sobre liderança com livros, podcasts, vídeos e palestras. “Sou feliz com meus 85 anos, e isso inspira outras pessoas a entenderem que a vida não acaba aos 50", finaliza.