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Paulo Silva, da Franq: tecnologia para o bancário empreender (Divulgação/Divulgação)
Editor de Negócios e Carreira
Publicado em 30 de agosto de 2025 às 08h26.
O que fez com que bancários experientes, com mais de 20 anos de carreira em grandes instituições financeiras do Brasil e cargos de gerência deixassem seus postos em busca de um trabalho autônomo?
É um movimento que tem crescido no Brasil a partir do surgimento de uma nova forma de atuação: o bancário autônomo.
Com flexibilidade e atuando por conta própria para atender os próprios clientes, esses profissionais conseguem trazer soluções de diferentes bancos e fintechs de forma personalizada.
Dados do primeiro levantamento de perfil dos bancários autônomos feito no Brasil mostram que esses profissionais já atuam no país inteiro e são, em sua maioria, pessoas acima dos 40 anos de idade e com vasta experiência como gerentes bancários — tanto de pessoa física quanto jurídica.
O levantamento foi feito pela Franq, plataforma que oferece aos bancários autônomos e assessores de investimentos com certificação Ancord uma solução com mais de 150 produtos financeiros de um rol de mais de 50 instituições diferentes.
Fundada em 2019, a fintech já atuou com mais de 10 mil bancários autônomos.
A pesquisa envolveu mais de 5,6 mil profissionais que operam por meio da plataforma da Franq. Do total, 65% são homens e 35% mulheres, com a maior base de concentração no Sudeste (51,06%).A distribuição geográfica dos profissionais representa uma conexão com a participação estadual no PIB brasileiro. Estado com maior número de bancários autônomos, São Paulo possui 32,3% dos profissionais pesquisados, número semelhante à fatia de 31,1% que possui do PIB nacional.
A região Sul também se destaca com 26,09% dos bancários e 16,2% do PIB, revelando uma adesão acima da média ao modelo autônomo em estados como Santa Catarina (10,84%) e Paraná (8,49%).
As regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte possuem cerca de 23% da base de bancários autônomos em atuação no Brasil, uma quantia menor que apresenta espaço para crescimento do modelo — principalmente em estados com maior densidade econômica como Goiás, Bahia, Pernambuco e Pará.
Reforçando a tendência da mudança de atuação para os profissionais que já trilharam uma longa carreira em bancos, o levantamento mostra que a idade média dos bancários autônomos é de 46 anos, sendo que 83% do total possui mais de 36 anos.
A experiência também reflete nos cargos ocupados anteriormente nas instituições financeiras tradicionais. A maioria foi gerente de algum nível: geral, de pessoa física ou de pessoa jurídica.
A maior parcela veio também de alguns dos maiores bancos do Brasil: Itaú/Unibanco (31,2%), Bradesco (30%) e Santander (28,9%).
A grande maioria possui também as principais habilitações do mercado financeiro: as certificações CPA-10 e CPA-20, ambas emitidas pela ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), seguem como as mais frequentes — presentes em 66,9% e 38,3% dos profissionais, respectivamente.
Tradicionalmente associadas ao ambiente bancário, essas credenciais continuam sendo referência na atuação independente.
"Os personal bankers possuem, em média, 20 anos de experiência no mercado financeiro. Isso significa duas décadas construindo relações de confiança com seus clientes, conhecendo suas histórias e compreendendo profundamente suas necessidades financeiras", diz Paulo Silva, CEO e fundador da Franq.
"Esse conhecimento, aliado à experiência com o funcionamento dos bancos, se torna um grande ativo. Esses profissionais têm a oportunidade de monetizar esse ativo ao atuar de forma independente. Antes, um bancário precisava estar vinculado a uma instituição para exercer sua profissão. Agora, ele pode empreender."
Silva fundou a Franq em 2019, após largar uma carreira como executivo de grandes bancos, como Banco do Brasil, Citi, HSBC e Santander, e se mudar para Florianópolis em busca de uma vida mais tranquila.
A ideia para a fintech surgiu a partir de duas observações chave: a onda de demissões em massa de bancários devido ao fechamento de agências e a dificuldade das fintechs em realizar a distribuição puramente digital de produtos financeiros.
Muitos desses profissionais, com décadas de experiência no setor bancário, não tinham currículos atualizados e enfrentavam dificuldades para se recolocar no mercado.
Simultaneamente, as fintechs enfrentavam limitações na distribuição digital, muitas vezes dependendo ainda de canais físicos.
A partir dessas constatações, Silva viu uma oportunidade para conectar esses profissionais experientes com clientes que buscavam soluções financeiras personalizadas.
A Franq se posicionou como uma plataforma digital que conecta bancários autônomos a mais de 50 instituições financeiras, oferecendo uma gama diversificada de produtos, como crédito imobiliário, seguros, consórcios, previdência e outros serviços financeiros.
O modelo de negócio da empresa é o de comissão, com 80% do valor indo para o bancário autônomo e 20% para a Franq.
Em seus primeiros anos, a Franq apresentou um crescimento expressivo. A Franq tem mais 120 mil clientes, sendo pioneira no conceito de open banking no Brasil.
Hoje, a plataforma integra mais de 50 instituições financeiras. O volume de transações supera 2,2 bilhões de reais em propostas de crédito geradas mensalmente.Em junho de 2021, a fintech recebeu seu primeiro aporte do fundo Valor Capital no valor de 20 milhões de reais.
Em outubro de 2022, captou 12 milhões de dólares em rodada liderada pela americana Quona, com participação da GloboVentures e Broadhaven.