Jaime Taboada e Rebecca Fischer, da Divibank: “Estamos dobrando volume de transações mensalmente desde o lançamento. Só entre dezembro e março, triplicamos o valor transacionado” (Divibank/Divulgação)
Repórter de Negócios
Publicado em 2 de abril de 2025 às 09h00.
O mercado de pagamentos vive uma fase de evolução silenciosa, marcada pela digitalização acelerada do varejo e pela busca dos lojistas por soluções mais flexíveis e eficientes. Nesse cenário, a fintech Divibank decidiu mudar de rota e entrar em um novo jogo — com um cheque fresco em mãos.
A fintech, que nasceu em 2020 como financiadora de campanhas de marketing digital, acaba de captar 8,2 milhões de dólares (cerca de 47 milhões de reais) em uma nova rodada liderada pela Better Tomorrow Ventures. A empresa agora mira em outro gargalo dos lojistas: o sistema de pagamento.
O motivo da virada? A percepção de que a dor mudou.
“Nossos clientes começaram a reclamar do atendimento dos players de pagamento, das taxas altas e, principalmente, da baixa taxa de aprovação”, afirma Jaime Taboada, cofundador e CEO. Daí veio o lançamento da Divibank Pay, uma solução que promete aumentar a receita dos lojistas redirecionando automaticamente transações recusadas para outros processadores.
“Estamos construindo uma plataforma que permite ao lojista não deixar dinheiro na mesa. Se uma transação falha, o sistema tenta em outro provedor. Isso aumenta a chance de aprovação e reduz o risco de perder vendas por erro do processador”, diz Taboada.
A meta da startup é crescer 10 vezes até o final de 2025. Para isso, vai investir o aporte em tecnologia, integração com mais plataformas e reforço do time de engenharia. O foco agora é a operação de pagamentos — o crédito, que antes era o carro-chefe, perdeu espaço.
A história da Divibank começou com um incômodo em comum. Rebecca Fischer, brasileira, trabalhava com marketing digital e atendimento a grandes empresas da América Latina, incluindo Nubank, iFood e Mercado Livre.
“Vi muito empreendedor ralando, vendendo o carro para comprar estoque, enquanto grandes empresas investiam milhões em mídia digital. Era um descompasso gigante”, diz.
Ao mesmo tempo, Jaime Taboada, colombiano com formação em Harvard e Columbia, atuava no mercado de capitais nos Estados Unidos, mas queria empreender na América Latina. A conexão entre os dois veio por meio de um amigo em comum da faculdade. “Eu estava contando pra ele sobre as dores dos empreendedores no Brasil, e ele me ligou dizendo: conheci um cara falando exatamente das mesmas coisas que você fala. Vocês precisam se conhecer”, conta Fischer.
A sinergia foi imediata — e as trajetórias complementares. Rebecca trazia experiência prática no dia a dia do empreendedor digital. Jaime tinha background financeiro e visão de produto. Juntos, decidiram atacar um ponto central: acesso a capital para empresas que queriam crescer com marketing digital, mas não encontravam linhas de crédito adequadas nos bancos.
“Começamos em março de 2020, na semana da pandemia, com financiamento para marketing baseado em compartilhamento de receita. Depois vieram linhas para compra de estoque e receitas recorrentes”, afirma Fischer. O modelo rapidamente atraiu clientes de diversos tamanhos — de pequenos e-commerces a empresas estruturadas que queriam escalar com capital flexível.
A proximidade com os clientes, desde o início, virou marca registrada. “A gente financiou mais de 200 empresas. Isso nos colocou muito dentro da realidade deles. Foi assim que percebemos as falhas do mercado de pagamentos”, diz Taboada.
Agora, a aposta total da companhia é em tecnologia para meios de pagamento.
Lançada em setembro de 2024, a Divibank Pay permite que os lojistas se conectem a múltiplos processadores de pagamento, seja via link, integração direta com o site ou plataformas de e-commerce. O sistema escolhe o provedor com menor custo e melhor taxa de aprovação para cada transação.
“Funciona como uma padaria com três maquininhas. Se uma não passar, tentamos na outra”, afirma Fischer. Segundo ela, o diferencial é a agilidade: o link de pagamento pode ser gerado em sete segundos, e a integração não exige taxa de setup.
A empresa já soma mais de 40 clientes ativos, com foco em segmentos como turismo, educação, beleza e varejo online.
“Estamos dobrando volume de transações mensalmente desde o lançamento. Só entre dezembro e março, triplicamos o valor transacionado”, afirma Taboada.
Apesar do crescimento acelerado, a startup sabe que a barreira principal está na confiança. “Meio de pagamento é o motor do avião em pleno voo. Mudar exige segurança e estabilidade”, diz Fischer. O desafio é convencer lojistas a migrar sistemas críticos para uma plataforma nova, mesmo com integração rápida e sem custo inicial.
Outro ponto sensível é a concorrência com gigantes já estabelecidos. Para se diferenciar, a Divibank aposta no histórico com crédito, na personalização do atendimento e no uso de dados para evitar fraudes e maximizar aprovações.
Hoje, a Divibank opera com clientes em todo o Brasil e mantém escritório em São Paulo. Segundo os fundadores, ainda não há planos concretos de internacionalização — apesar da origem colombiana de Taboada e do interesse em eventualmente expandir para países como Colômbia ou México.
“O foco é ganhar o Brasil primeiro. A gente está construindo uma solução sólida e escalável aqui antes de pensar em outros mercados”, afirma o CEO.
Com o novo aporte, a fintech quer ampliar a rede de parceiros, reforçar a tecnologia e acelerar a integração com plataformas de e-commerce.