Roni Hirsch e Helo Paoli, do Erê Lab: “Não copiamos o que o mercado já faz. Criamos brinquedos com identidade, com brasilidade. Nosso foco é transformar a paisagem urbana com obras que as crianças reconhecem como delas” (Divulgação/Divulgação)
Editor de Negócios e Carreira
Publicado em 4 de abril de 2025 às 06h02.
O espaço de brincar está mudando de lugar. Se antes era o quintal ou o corredor da escola, hoje são as praças, os jardins dos prédios, os pátios dos shoppings. A infância está mais urbana — e mais pressionada — e isso reacendeu o valor dos parques de brincar como parte da cidade. Para empresas e governos, promover esse tipo de espaço virou uma demanda social e também uma exigência de urbanismo.
É nesse cenário que o Erê Lab cresceu. A empresa, criada em 2014 por Roni Hirsch e Helo Paoli, fabrica brinquedos urbanos, mobiliário lúdico e equipamentos para espaços públicos e privados. A proposta: levar arte, brasilidade e interação para o dia a dia de crianças nas cidades.
A demanda por requalificação urbana e espaços de convivência tem puxado o crescimento. Incorporadoras, shoppings, escolas e governos são clientes frequentes. Em 2023, o Erê Lab registrou 7,3 milhões de reais em receita, com alta de 14% sobre o ano anterior. Com isso, entrou no ranking EXAME Negócios em Expansão 2024, ocupando a 131ª posição entre as empresas que faturam de 5 milhões a 30 milhões de reais por ano.
“Brincar é ancestral, é natural, é o que conecta a criança ao mundo. Nosso objetivo é oferecer esse direito em todos os lugares”, diz Roni Hirsch, diretor criativo e fundador da empresa.
Para 2024, a meta do Erê Lab é crescer ainda mais: o plano é alcançar 20 milhões de reais em receita até dezembro. No primeiro trimestre, a empresa já bateu todo o faturamento do primeiro semestre do ano passado. Um novo projeto de ampliação da fábrica está em andamento.
Brinquedos do Erê Lab: aposta em brasilidade e design (Divulgação/Divulgação)
A partir daí, o Erê Lab cresceu como uma mistura de ateliê e fábrica. Helo Paoli, formada em artes e com experiência em produção cultural, entrou na sociedade e ajudou a profissionalizar o negócio. A produção ganhou escala, a fábrica foi montada e hoje o Erê Lab entrega até 150 projetos por ano em 22 estados do Brasil, com 55 colaboradores e uma planta de 3 mil metros quadrados.
O portfólio do Erê Lab é dividido em três grandes frentes: playgrounds, mobiliário urbano e equipamentos esportivos. Tudo feito para ambientes externos, com madeira certificada, aço galvanizado, pintura anticorrosiva e componentes pensados para durar — mesmo em praças públicas.
Entre os produtos estão escorregadores, estruturas de escalada, casas palafitas e brinquedos giratórios inspirados na flora brasileira, como a Vitória-Régia. Cada projeto pode ir de 30 mil a 1 milhão de reais, dependendo do tamanho e da complexidade.
O trabalho é 100% autoral. Os parques e brinquedos são desenhados dentro do estúdio do Erê Lab, com estética inspirada no folclore, na arquitetura brasileira e em elementos naturais como o mangue e a árvore-baú.
“Não copiamos o que o mercado já faz. Criamos brinquedos com identidade, com brasilidade. Nosso foco é transformar a paisagem urbana com obras que as crianças reconhecem como delas”, afirma Hirsch.
Incorporadoras também fazem parte da carteira. Algumas contratam o Erê Lab para cumprir contrapartidas urbanas. Outras, para construir espaços de lazer em condomínios de alto padrão. “A gente trabalha tanto no público quanto no privado, mas nossa prioridade é o espaço público. É ali que a brincadeira mistura as classes sociais”, diz Paoli.
Além da atuação comercial, o Erê Lab mantém o Coop-erê, braço de impacto social que articula parcerias entre empresas privadas, governos e comunidades para implantar parques em áreas periféricas.
Um dos exemplos é a praça do Campo Limpo, inaugurada em 2024, na zona sul de São Paulo. O projeto foi viabilizado com a ajuda de um líder comunitário local, a ONG Solano Trindade e o apoio de marcas privadas.
“Brincar de verdade é o que muda o entorno. A praça virou ponto de encontro de todo mundo, de criança a idoso”, afirma Hirsch.
O crescimento do Erê Lab é puxado por três vetores: aumento da demanda por espaços urbanos qualificados, obrigatoriedade de contrapartidas sociais em novos empreendimentos e valorização da infância como pauta pública. Mas os sócios creditam o sucesso, principalmente, à consistência do produto.
“Nosso crescimento vem da experiência das pessoas. Quando elas encontram um parque nosso, sentem que algo mudou. E isso gera novas demandas”, diz Paoli.
Para Hirsch, é a prova de que um trabalho autoral, feito com atenção e durabilidade, pode competir mesmo num mercado de preços baixos e grandes concorrentes. “Temos o ticket médio mais alto do setor, mas entregamos um parque que dura, que não quebra, que não desaparece.”
Brinquedos do Erê Lab: unidades são instaladas em locais de muito movimento como praças, shoppings e condomínios (Divulgação/Divulgação)
Para os próximos anos, o Erê Lab quer ir além das crianças. A meta é ampliar o foco para mobiliários urbanos que incentivem o convívio em família e em comunidade. Bancos, mesas, coberturas e até lixeiras serão pensadas como peças que provocam interação — e não apenas como função.
Além disso, a empresa está estudando projetos de exportação e já recebeu consultas de países da América do Sul, Europa, Oriente Médio e África.
“O Erê Lab começou com madeira reaproveitada e virou uma fábrica consolidada. Hoje temos sistemas, processos e estrutura para dar o próximo passo”, diz Paoli.
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME). O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
Em 2024, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2023. A análise considerou negócios com faturamento anual entre 2 milhões e 600 milhões de reais.
A edição 2025 já está com inscrições abertas. A participação é 100% gratuita. As inscrições vão até 5 de maio, mas quem concluir o cadastro antes de 31 de março ganhará o acesso a uma trilha de conteúdos online dedicados a empreendedores dentro da plataforma LIT, da escola de negócios Saint Paul.
Entre os conteúdos estão inteligência artificial, sustentabilidade corporativa, gestão de times de alta performance, capital de giro e gestão do fluxo de caixa, marketing digital e cenário econômico.
Não fique de fora da maior celebração do empreendedorismo brasileiro. Clique aqui para começar a sua inscrição.