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Fleury tem lucro menor, mas margem em 2017 é a maior desde IPO

O lucro líquido nos últimos três meses do ano caiu 13,7%, para 64,6 milhões de reais, refletindo a base de comparação desfavorável

Fleury: a empresa anunciou a compra do Instituto de Radiologia de Natal (IRN) (foto/Divulgação)

Fleury: a empresa anunciou a compra do Instituto de Radiologia de Natal (IRN) (foto/Divulgação)

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Reuters

Publicado em 1 de março de 2018 às 21h34.

São Paulo - A empresa de laboratórios de diagnóstico Fleury terminou 2017 com a maior margem sobre o resultado operacional desde que estreou na bolsa, após crescimento na receita e controle de custos.

Apesar disso, o lucro líquido nos últimos três meses do ano caiu 13,7 por cento, para 64,6 milhões de reais, refletindo a base de comparação desfavorável.

No quarto trimestre de 2016, o resultado teve o impacto positivo concentrado de um benefício tributário devido à distribuição de juros sobre capital próprio. Em 2017, o mesmo benefício tributário foi distribuído ao longo do ano a partir do segundo trimestre.

Desconsiderando esse efeito, o Fleury teria registrado aumento de 53,3 por cento no lucro.

Já o resultado operacional da companhia medido pelo lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), avançou 29,7 por cento na mesma base de comparação, a 130,7 milhões de reais.

A margem Ebitda subiu 3,2 pontos percentuais, para 22,4 por cento. No ano, a margem subiu 2,92 pontos percentuais, para 26 por cento e atingiu o maior patamar desde a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da empresa, em 2009.

A empresa atribui a melhora na margem Ebitda ao crescimento na receita líquida, que no quarto trimestre avançou 11,2 por cento e fechou 2017 com alta de 12,4 por cento em relação a 2016, além do controle de custos.

"Com isso a gente consegue essa expansão de margem, mesmo expandindo nosso parque", disse a diretora de relações com investidores, Viviane Behar de Castro.

Separadamente, a empresa anunciou a compra do Instituto de Radiologia de Natal (IRN), levando o grupo Fleury para a oitava região metropolitana de atuação no país, além de São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Recife.

O crescimento da empresa segue voltando em duas frentes: orgânico e com mais aquisições. O movimento, segundo o presidente do grupo Fleury, Carlos Marinelli, é amparado pelo fluxo de caixa, que permite a realização de novas compras mantendo o endividamento "muito confortável". No trimestre, o indicador de dívida líquida sobre Ebitda atingiu 0,6 vez ante 0,9 vez um ano antes.

Sobre a possibilidade de pressão nas margens diante do plano de expansão, Marinelli destacou que os custos das novas unidades no início das operações exercem alguma pressão, o que tem sido compensado pela disciplina na área das despesas.

"A pressão é bastante grande nesses custos, mas a gente tem o objetivo de permanecer mostrando resultados superiores", disse Marinelli, acrescentando que a empresa não informa projeção para a margem.

Em relação ao crescimento orgânico, o Fleury inaugurou 34 unidades desde o início de seu plano de abrir de 73 a 90 laboratórios até 2021, anunciado em 2016. Apenas no ano passado foram abertas 30 unidades.

Para este ano, as inaugurações devem ficar concentradas nas marcas regionais, principalmente em a+ em São Paulo e nas marcas Labs a+ e Felippe Mattoso no Rio de Janeiro.

"Somos uma empresa de portifólio de negócios... As marcas regionais têm crescido, permitindo essa evolução", disse Marinelli.

Setor de saúde na bolsa

O número de empresas do setor de saúde deve crescer este ano, após o pedido de registro para oferta de ações de duas empresas apenas esta semana.

A operadora de planos de saúde Hapvida registrou junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) seu pedido para IPO, logo após a também operadora de planos de saúde Notre Dame Intermédica fazer o pedido, retomando os planos que havia suspendido em julho do ano passado.

Marinelli vê a entrada de novas empresas do setor de saúde na bolsa como positivo por "equalizar" a competição, uma vez que as empresas de capital aberto precisam seguir normas de governança corporativa mais rígidas.

Para o executivo, mais empresas no mercado representem mais "disputa" pelo investidor, o que vai fazer com que as empresas trabalhem para conquistar a confiança do investidor.

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