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‘Não vamos substituir, vamos adicionar’, diz presidente da Petrobras sobre transição energética

Magda Chambriard afirma à EXAME que a estatal vai ampliar investimentos em renováveis, com retorno ao etanol, expansão em eólica e solar e reativação de fábricas de fertilizantes

Magda Chambriard, presidente da Petrobras: “Não existe futuro para uma empresa de petróleo sem exploração” (Leandro Fonseca/Exame)

Magda Chambriard, presidente da Petrobras: “Não existe futuro para uma empresa de petróleo sem exploração” (Leandro Fonseca/Exame)

Publicado em 30 de agosto de 2025 às 08h00.

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Conciliar crescimento econômico, segurança energética e redução de emissões é um dos grandes desafios da Petrobras nos próximos anos.

À frente da estatal desde maio do ano passado, a engenheira Magda Chambriard afirma que a empresa busca acelerar investimentos em petróleo e gás ao mesmo tempo em que amplia sua presença em renováveis como etanol, biodiesel, eólica e solar.

Para ela, não se trata apenas de transição, mas também de “adição energética” - isso significa que o Brasil deve aumentar a produção de energia por meio de diversas fontes, em vez de se focar exclusivamente em substituir as fontes fósseis por renováveis.

“Não existe futuro para uma empresa de petróleo sem exploração. O futuro terá menos participação de fóssil, mas ainda relevante pelas próximas duas, três décadas”, diz Chambriard, em entrevista ao podcast “De frente com CEO”, da EXAME.

Para a presidente da Petrobras, o Brasil é uma das dez maiores economias do mundo, mas ainda é pobre energeticamente quando se olha a energia per capita.

“Para chegar ao nível de consumo da África do Sul, precisamos produzir 50% a mais de energia. Se quisermos nos aproximar da Europa, é como se tivéssemos que colocar outro Brasil de pé”, afirma a presidente da Petrobras.

Os países que mais consomem energia per capita são também os que têm maior índice de desenvolvimento humano, diz Chambriard. “Se quisermos alto nível de desenvolvimento humano, precisamos gerar mais energia.”

O papel do petróleo e os riscos da exploração

Apesar da pressão global pela descarbonização, Chambriard reforça que o petróleo continuará relevante por pelo menos duas a três décadas. Para sustentar a produção após o pico esperado em 2030, a Petrobras aposta na exploração de novas fronteiras, como a Margem Equatorial, no Amapá, e a Bacia de Pelotas, no Sul do país, e o litoral africano.

“Tudo o que aprendemos em termos de geologia no litoral brasileiro é muito parecido com o litoral africano. Por isso, a margem atlântica da África é um alvo natural de prospecção para a Petrobras,” diz a presidente.

Sobre o projeto da perfuração na Foz do Amazonas, Chambriard minimiza críticas. “Estamos falando de uma área a 540 quilômetros da Ilha de Marajó, em águas ultraprofundas. Quem não se preocupa com Copacabana deveria relativizar essa preocupação.”

Estratégia em renováveis: etanol, biodiesel e energia solar

A Petrobras quer retomar o protagonismo em renováveis, segundo a presidente. A empresa pretende voltar ao mercado de etanol ainda em 2025, ampliar a produção de biodiesel e investir em combustíveis com maior percentual de conteúdo renovável, além de projetos em energia eólica e solar.

“Se o etanol começou no Brasil, foi graças à Petrobras. O mesmo vale para o biodiesel. Agora vamos aumentar nossa participação novamente”, diz Chambriard.

A executiva reforça que a estatal tem papel histórico na inserção de fontes limpas no país e seguirá expandindo sua atuação. “Falamos de transição, mas também de adição energética, porque só assim vamos democratizar o acesso à energia e elevar o IDH do Brasil.”

Gás natural e fertilizantes

Outra frente estratégica é a retomada das fábricas de fertilizantes (Fafens), paralisadas há anos. A Petrobras está reativando unidades na Bahia e em Sergipe e concluindo a planta em Mato Grosso do Sul. O movimento é visto como essencial para expandir o mercado de gás natural no país.

“Fazer fertilizantes significa ampliar o mercado de gás. É uma forma de romper o ciclo vicioso de não investir porque não há mercado e não ter mercado porque não se investe”, afirma a presidente.

Petrobras no mercado global

Chambriard destaca que a Petrobras está entre as grandes petroleiras do mundo, ao lado de Shell, BP, Chevron e Equinor. Os Estados Unidos, embora sejam destino de parte das exportações brasileiras, não representam risco imediato após o “tarifaço” anunciado por Donald Trump — o petróleo ficou de fora da lista de produtos atingidos.

“Exportamos para a Ásia e, em menor volume, para os Estados Unidos, mas o nosso principal mercado é o Brasil”.

Leia também: Lançando novas sementes: a aposta global da Embrapa agora chega à África e à Ásia

O futuro da Petrobras com a energia renovável

Para Magda, o grande desafio é equilibrar a exploração de petróleo e gás com a aceleração das renováveis, ampliando a oferta de energia necessária para o crescimento econômico.

“A transição energética é natural e já vem acontecendo desde os anos 70 com etanol, biodiesel e outras fontes. O esforço agora é ampliar e acelerar esse processo para que o Brasil avance em desenvolvimento humano.”

Veja aqui a entrevista completa da Magda Chambriard, presidente da Petrobras, no podcast "De frente com CEO"

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