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No resultado do Magalu, e-commerce será capaz de suprir as lojas físicas?

Com metade do faturamento anterior perdido nas lojas fechadas, a pandemia será a hora de testar a transformação digital pelo qual o Magalu vinha passando

Centro de distribuição do Magazine Luiza: no ano, a empresa acumula alta de 21% nas ações com a esperança dos investidores no e-commerce  (Germano Lüders/Exame)

Centro de distribuição do Magazine Luiza: no ano, a empresa acumula alta de 21% nas ações com a esperança dos investidores no e-commerce (Germano Lüders/Exame)

CR

Carolina Riveira

Publicado em 25 de maio de 2020 às 06h26.

Última atualização em 25 de maio de 2020 às 09h39.

A pandemia do novo coronavírus impõe desafios e otimismo em medida parecida para a varejista Magazine Luiza. Uma das estrelas do varejo nacional (e da bolsa) nos últimos anos, o Magalu anuncia os primeiros resultados em meio à crise global após o fechamento do mercado nesta segunda-feira.

No momento, algumas lojas da empresa começam a ser reabertas em alguns estados, mas são ainda uma minoria e com circulação reduzida. A esperança de receita ficou para o online, que representou 48% do faturamento no quarto trimestre do ano passado.

O foco para 2020 eram as frentes de vestuário e artigos esportivos, ampliadas no ano passado com a compra da Netshoes (e seu braço de moda, a Zattini). Mas, com a pandemia, o Magalu também precisou acelerar um plano mais ao futuro, de intensificar a operação em itens de bens de consumo, como produtos de limpeza e outros itens de supermercado (embora com ainda pouca comida, mesmo os itens não-perecíveis, na plataforma). Os itens essenciais viraram prioridade dos consumidores durante a quarentena, e varejistas não-especializadas correram para atender à demanda.

“Não era o plano do mês que vem. Virou o plano da semana que vem”, disse o presidente Frederico Trajano em entrevista à EXAME em abril, sobre o avanço em bens de consumo. Na conferência com analistas na manhã de quarta-feira, Trajano deve detalhar mais os avanços do Magalu no e-commerce e o quanto a internet foi capaz de suprir as perdas das lojas físicas.

Outra prioridade da quarentena foi a briga por novos vendedores no marketplace.  O Magalu lançou o Parceiro Magalu. Em duas semanas no ar, eram mais de 15.000 empresas parceiras — o marketplace tradicional havia demorado três anos para chegar ao mesmo número.

O consenso de analistas ouvidos pela Bloomberg no começo da temporada de resultados, em abril, foi de faturamento de 6,1 bilhões de reais para o período entre janeiro e março, alta de 42% em relação ao mesmo período de 2019. Os investimentos para ampliar o e-commerce em meio à pandemia, somado ao fechamento das lojas físicas, podem impactar o lucro, embora os impactos do coronavírus ainda devam ser mais sentidos a partir do segundo trimestre. A projeção dos analistas divulgada em abril era de lucro de 146 milhões de reais para o primeiro trimestre, alta de 18%.

Investidores seguem otimistas. No ano, a ação da empresa acumula alta de 21%, com o papel fechando a mais de 57,65 reais no último pregão, na sexta-feira, 22 — no pior momento da bolsa, no fim de março, a ação chegou a 29 reais, mas se recuperou desde então. Outras varejistas também vêm em alta no ano: a B2W acumula alta de 35% (foi a empresa que mais subiu em abril) e o Mercado Livre, que tem capital aberto na Nasdaq, subiu 47%.

A pandemia será a hora de testar a transformação digital pela qual o Magalu vem passando nos últimos anos.

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