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Para a Ferrero, dona da Kinder, estratégia é mostrar que ovo da Páscoa 'vale o quanto custa'

Em 2025, a empresa aposta em duas frentes para enfrentar a inflação do chocolate: ampliação da oferta e diversificação de preços

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 2 de abril de 2025 às 07h32.

Última atualização em 2 de abril de 2025 às 08h53.

A Páscoa de 2025 chegou mais tarde, com um calendário que favorece o consumo — mais tempo, clima mais ameno e bolso menos apertado.

Mas o cenário não está livre de obstáculos. A disparada no preço do cacau e o encarecimento dos ovos exigiram das fabricantes uma resposta rápida.

A Ferrero, terceira maior empresa de chocolates do mundo, decidiu não esconder o jogo: a ideia é convencer o consumidor de que o ovo de Páscoa — mesmo mais caro — vale o investimento.

Renato Zanoni, da Ferrero Brasil (Wanezza Soares/Divulgação)

Fundada em 1946, na Itália, e conhecida por marcas como Kinder, Nutella e Tic Tac, a Ferrero mantém uma operação robusta no Brasil, com fábrica em Poços de Caldas, em Minas Gerais e um portfólio que vai de bombons a tabletes. Em 2025, a empresa aposta em duas frentes para enfrentar a inflação do chocolate: ampliação da oferta e diversificação de preços.

O destaque vai para a inclusão de Kinder Bueno na campanha de Páscoa, tradicionalmente focada no público infantil.

“As pessoas não compram só ovo, presenteiam com bombom, com chocolate. Esse é o momento em que mais ganhamos penetração nos lares”, afirma Renato Zanoni, responsável pelas operações comerciais da Ferrero no Brasil.

Uma Páscoa mais longa, um desafio mais complexo

Neste ano, a Páscoa mais tardia favorece o consumo.

Com a data no final de abril, o consumidor já pagou os impostos anuais, matrícula escolar e outras despesas de início de ano. Isso dá à indústria um fôlego maior — mas também exige preparo logístico e estratégia comercial mais agressiva.

“A gente começa a contratar mão de obra no segundo semestre do ano anterior. Depois vem a expedição, os promotores em loja. Tem regiões que antecipam, outras não. Mas é uma operação nacional, com diferenças regionais claras”, diz Zanoni.

Além da operação, o desafio é explicar o preço. O cacau subiu cerca de 180% nos últimos dois anos, afetado por secas e colheitas fracas na África. O Brasil, ainda dependente de importação, também sente. A produção nacional caiu, os preços subiram. Para os ovos de Páscoa da Ferrero, a média de preço é de 90 a 100 reais.

“É mais do que chocolate: é valor percebido”

A resposta da Ferrero passa por comunicar mais do que o produto — comunicar o valor.

“No fundo, todo mundo quer comer algo de qualidade. A gente concorre com chocolaterias e também com marcas de grande volume. O que entregamos é um produto com qualidade reconhecida, num ambiente onde não tem tantos concorrentes”, afirma Zanoni.

Essa estratégia fica clara no lançamento dos tabletes Ferrero Rocher, uma inovação para uma marca conhecida pelos bombons dourados. A ideia é criar novas ocasiões de consumo e aumentar a presença da marca ao longo do ano, mesmo fora da sazonalidade.

Para o público infantil, Kinder segue na liderança absoluta com ovos temáticos — Dinos, Fadas, Natoons, Minions, Masha e o Urso — e formatos novos, como o coelho de chocolate em miniatura. Mas a empresa reforça: “Não se trata só de vender ovo. A gente quer oferecer diferentes níveis de preço e diferentes formas de presentear. Desde o Kinder Bueno até o ovo premium com bombons dentro”, diz o executivo.

O futuro: crescer acima da categoria

Apesar da queda geral na produção de ovos de Páscoa na indústria brasileira (22% a menos em 2025), a Ferrero quer ganhar participação de mercado. E aposta na qualidade e na diferenciação como caminho. “A concorrência não é só pelo espaço na prateleira. É por relevância. E inovação precisa fazer sentido. A gente acredita que pode crescer acima da categoria”, afirma Zanoni.

A Ferrero, familiar até hoje, segue com ambição global — e estratégia local. E para 2025, a meta é clara: mostrar ao consumidor brasileiro que um bom chocolate, mesmo mais caro, vale o quanto custa.

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