Colagem moderna de conceito de negócio em meio-tom. Conceito de ideia, economia, planejamento financeiro, lucro financeiro. Ilustração retrô moderna e moderna. Ilustração vetorial. (Natalya Kosarevich/Getty Images)
Redatora
Publicado em 29 de agosto de 2025 às 18h40.
Em 2011, a startup Color Labs surgiu no mercado com um feito notável: levantou US$ 41 milhões em investimentos antes mesmo de lançar seu primeiro produto, um aplicativo de compartilhamento de fotos.
O app ultrapassou um milhão de downloads em menos de um ano, mas sua trajetória foi tão meteórica quanto sua queda. Problemas técnicos, falta de funcionalidades e uma experiência de usuário aquém das expectativas afastaram o público.
A empresa, ao invés de corrigir os erros, manteve o foco na expansão da base de usuários. Resultado: em 2012, mesmo com US$ 25 milhões ainda em caixa, os investidores votaram pelo encerramento das operações.
A falência precoce da Color Labs escancarou uma questão central para o universo das finanças corporativas: o impacto do momento em que o capital é injetado em startups.
Segundo pesquisadores da Harvard Business School, a hora certa do investimento pode ser tão determinante quanto o valor recebido. E, como mostram os dados, o excesso de capital na fase inicial pode sufocar a experimentação e comprometer a inovação.
Os pesquisadores analisaram dados de 11.853 startups de tecnologia fundadas entre 2010 e 2019. O objetivo era entender como o momento e o volume do primeiro investimento afetam a capacidade de inovação das empresas.
A métrica utilizada foi o grau de originalidade das combinações tecnológicas utilizadas. Segundo os pesquisadores, a forma como as startups combinam tecnologias pode revelar o quanto elas estão inovando, mais até do que a quantidade de patentes.
O resultado foi claro: startups que recebem o primeiro aporte mais tarde mantêm a cultura de experimentação por mais tempo. Já aquelas que recebem grandes volumes de capital no início usam mais tecnologias, mas de maneira convencional, o que sinaliza menor inovação.
Além do momento e do valor, o estudo apontou outro fator crucial: o histórico dos investidores. Aqueles que já tiveram sucesso com ofertas públicas ou aquisições tendem a influenciar as startups de forma diferente, nem sempre favorável à inovação contínua.
Os pesquisadores de Harvard explicam que investidores muito voltados a resultados imediatos ou saídas rápidas tendem a pressionar por retorno rápido, sufocando a liberdade criativa necessária para testar novas ideias.
Para os profissionais de finanças, as lições são:
Os pesquisadores recomendam evitar grandes rodadas iniciais sem uma base sólida de receita. “Evitem valorizações altas sem ter receita para sustentá-las”, diz. Alta expectativa pode resultar em maior diluição de controle, mudanças estratégicas forçadas e, eventualmente, o fim do negócio.
A pesquisa reforça a importância de um olhar mais estratégico sobre as finanças corporativas. Não se trata apenas de levantar o maior aporte possível, o mais rápido possível. Trata-se de alinhar capital com cultura de inovação, com o estágio de maturidade do produto e com a flexibilidade necessária para testar, errar e acertar.
Esse equilíbrio é o que pode transformar uma startup comum em um negócio de impacto. E, para os gestores financeiros, essa sensibilidade é uma competência cada vez mais valiosa no mercado.
Por isso, a EXAME, em parceria com a Saint Paul Escola de Negócios, lançou o Pré-MBA em Finanças Corporativas — um treinamento criado para quem quer dominar a lógica dos números e utilizá-la como diferencial na trajetória profissional, por R$37,00.