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"Vamos ser líderes no Brasil", diz CEO da fabricante do Mounjaro, concorrente do Ozempic

Com lançamento previsto para junho, medicamento da Eli Lilly promete disputar espaço com o Ozempic no mercado bilionário de diabete e obesidade; leia entrevista com Karla Alcázar, CEO da farmacêutica para a América Latina

Karla Alcázar, CEO Latam da Eli Lilly: "Vamos nos tornar líderes de mercado no Brasil" (Leandro Fonseca/Exame)

Karla Alcázar, CEO Latam da Eli Lilly: "Vamos nos tornar líderes de mercado no Brasil" (Leandro Fonseca/Exame)

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 3 de abril de 2025 às 16h31.

Última atualização em 3 de abril de 2025 às 18h37.

Depois do Ozempic e Wegovy, o mercado brasileiro ganha mais um remédio para diabete tipo 2 e perda de peso: o Mounjaro. O medicamento da farmacêutica Eli Lilly vai chegar às farmácias no início de junho. Por aqui, ele será prescrito para diabete tipo 2 (a farmacêutica já solicitou a Anvisa a autorização para tratamento de obesidade).

"Vamos nos tornar líderes de mercado", diz Karla Alcázar, CEO Latam da Eli Lilly durante entrevista à EXAME. "Somos mais eficazes, os médicos estão prontos para prescrever e ajudar esses pacientes que precisam dessa medicação", completa.

A Lilly, que já tem uma presença consolidada no Brasil, aposta no país como peça central da sua estratégia de crescimento na América Latina. O movimento será sustentado por novos lançamentos em áreas como diabete, obesidade, Alzheimer e oncologia. “Vamos aumentar cinco vezes nossa presença no Brasil até 2030”, afirmou a executiva.

Em 2024, a farmacêutica registrou uma receita global de 45 bilhões de dólares, com alta de 45% no quarto trimestre, impulsionada pelo crescimento do volume de Mounjaro.

No último ano a empresa investiu cerca de 11 bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento. Entre eles, estudos clínicos no Brasil e em outras partes da América Latina com o objetivo de adaptar os tratamentos às necessidades específicas da população local. Atualmente, mais de 5.000 pacientes brasileiros participam de testes com medicamentos em desenvolvimento, e cerca de 30% da população incluída em estudos globais da Lilly vem de centros de pesquisa locais.

“O Brasil tem uma das maiores prevalências de diabete e obesidade do mundo. Três adultos a cada dez têm obesidade. Isso está matando brasileiros. Trazer Mounjaro é parte da nossa missão de mudar a saúde da população", diz Alcázar.

Com a expectativa de forte demanda, a Lilly alerta para o risco de falsificações e produtos sem origem certificada. A tirzepatida tem patente até pelo menos 2035, e a Lilly é a única fornecedora legítima do princípio ativo. “É importante que os pacientes saibam que não existem cópias legais. Só a Lilly fornece a tirzepatida com garantia de qualidade”, afirma Karla.

Como o Mounjaro funciona?

O Mounjaro é um medicamento injetável de uso semanal indicado para adultos com diabete tipo 2. Sua substância ativa, a tirzepatida, atua em dois hormônios naturais do corpo — o GLP-1 e o GIP — responsáveis por regular a insulina, o apetite e o gasto energético. Essa combinação inédita ajuda a reduzir a glicose no sangue e promove uma perda de peso significativa.

Quando o Mounjaro chega no Brasil?

O Mounjaro tem previsão de lançamento no Brasil no dia 7 de junho de 2025. Segundo a Eli Lilly, o medicamento estará disponível em todas as principais redes de farmácias do país. Inicialmente, será indicado para o tratamento de diabete tipo 2, mas a empresa já entrou com pedido na Anvisa para estender a indicação também para casos de obesidade.

Qual é o preço do Mounjaro?

O preço máximo ao consumidor será de R$ 3.791,07 por caneta com seis doses, suficiente para um mês de tratamento. O preço pode variar de acordo com o ICMS de cada estado.

A Eli Lilly ainda não definiu o valor final, mas afirmou que o medicamento terá um preço competitivo em relação aos concorrentes.

Nos Estados Unidos, o Mounjaro custa entre 100 e 200 dólares a mais por mês do que o Ozempic, dependendo da dosagem e do ponto de venda.

Qual é a diferença entre Mounjaro e Ozempic?

A principal diferença entre os medicamentos é o mecanismo de ação. A tirzepatida, atua em dois hormônios naturais do corpo — o GLP-1 e o GIP — , enquanto a semaglutina atua apenas no GLP-1.

A eficácia da tirzepatida é considerada superior à da semaglutida, segundo estudos clínicos globais da farmacêutica Eli Lilly.

Em um dos ensaios, 51% dos pacientes que usaram tirzepatida na dose de 15 mg atingiram níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) inferiores a 5,7%, marca típica de pessoas sem diabete — entre os que usaram semaglutida, o índice foi de 20%.

Além disso, 92% dos pacientes tratados com tirzepatida ficaram abaixo de 7%, valor recomendado pelas diretrizes médicas. Nos estudos voltados para obesidade, a tirzepatida também apresentou maior eficácia na perda de peso: a média foi de 24,3 kg, contra 17 kg com a semaglutida.

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