Studio Ghibli: animações como "Meu Amigo Totoro" se tornaram prompt do ChatGPT (Studio Ghibli/Reprodução)
Redação Exame
Publicado em 2 de abril de 2025 às 14h22.
O estilo de animação do Studio Ghibli, com suas cores vibrantes, personagens encantadores e cenários detalhados, conquistou corações ao redor do mundo. Agora ele está sendo imitado de maneira cada vez mais precisa e acessível, graças à inteligência artificial.
Recentemente, o lançamento do gerador de imagens do GPT-4o, da OpenAI, trouxe essa tendência à tona, permitindo que qualquer usuário crie imagens no estilo do famoso estúdio de animação japonês com apenas alguns cliques.
Esse recurso, que rapidamente se tornou viral, levanta questões sobre direitos autorais, e também sobre a sustentabilidade da IA.
Gerar uma única imagem utilizando IA consome entre 0,01 e 0,1 kWh de energia. Esse consumo gera calor, que precisa ser dissipado para garantir o funcionamento adequado dos servidores.
Como resultado, é necessário resfriar os data centers, uma tarefa que exige grandes quantidades de água.
Para ter uma ideia, o OpenAI utiliza mais de 2 litros de água a cada 50 consultas para resfriar seus servidores.
Com o enorme sucesso do GPT-4o, especialmente com a popularidade do estilo Studio Ghibli, a demanda por essas imagens cresceu exponencialmente.
No curto período de uma hora, 1 milhão de novos usuários se registraram no serviço, gerando cerca de 3 milhões de imagens diárias.
Isso significa que, apenas para resfriar os servidores, seriam necessários 7.500 litros de água por dia, o equivalente ao consumo diário de água de aproximadamente 100 pessoas, de acordo com padrões globais.
Além disso, para atender à demanda crescente, muitos data centers adotaram o uso de água salgada como alternativa para resfriar os servidores.
No entanto, isso ainda não resolve totalmente o problema, já que, com a demanda crescente, há o risco de drenar os oceanos para manter as máquinas funcionando.
A questão do impacto ambiental se estende também à pegada de carbono. A geração de cada imagem pode liberar entre 5 e 50 gramas de CO2 na atmosfera.
Considerando que 3 milhões de imagens são geradas diariamente, isso resulta em aproximadamente 1,35 tonelada de CO2 por dia — o equivalente a dirigir um veículo a gasolina por 5.000 km ou carregar simultaneamente 162.000 smartphones.
Embora o uso de energia renovável ajude a reduzir as emissões, a OpenAI ainda não divulgou se seus data centers utilizam fontes de energia totalmente sustentáveis.
Isso significa que, por enquanto, as emissões associadas à criação dessas imagens podem não ser neutras em carbono.
Diante desse panorama, surge a necessidade de buscar soluções para mitigar os impactos ambientais da IA.
A sustentabilidade, a reciclabilidade e o design de dispositivos com baixo impacto ambiental se tornam questões cada vez mais urgentes.
Soluções como resfriamento com água salgada, reciclagem de calor e melhor eficiência energética em data centers são passos importantes nesse sentido.
Além disso, o design de tecnologias mais duráveis e o incentivo à auto-reparabilidade de dispositivos, como laptops solares e computadores mais eficientes, podem contribuir para a redução da pegada ecológica.