Paulo Tenório, CEO da Trakto: “O empreendedor do Nordeste agora tem as mesmas ferramentas que o americano. O jogo virou” (Leandro Fonseca /Exame)
Repórter de Negócios
Publicado em 28 de agosto de 2025 às 06h00.
O uso da inteligência artificial na publicidade ainda engatinha no Brasil. Para grandes marcas, a promessa de escalar campanhas com menos custo e mais agilidade esbarra em questões técnicas, jurídicas e culturais. Mas uma startup alagoana resolveu enfrentar esses obstáculos.
Fundada em 2015 pelo designer Paulo Tenório, a Trakto nasceu com a proposta de facilitar a criação de peças gráficas para o público final — e já é conhecida como o Canva brasileiro. A plataforma de design americana teve receita de 3 bilhões de dólares em 2024 e já atende 95% das 500 maiores empresas dos EUA.
Mas o caminho não tem sido fácil para a startup alagoana. Ela enfrentou dificuldades para crescer no modelo B2C e, em 2022, passou a focar grandes empresas. Depois de firmar parceria com o Google, começou a atender empresas como Amazon, PepsiCo e Claro na América Latina. De lá para cá, a startup levantou 10 milhões de reais em aportes. Em 2025, deve fechar com 12 milhões de reais em receita, operando com uma equipe enxuta.
Mais recente, outro marco importante é a incorporação de IA generativa à plataforma. O Trakto Studio permite criar milhares de variações de campanhas em segundos. Roteiros, imagens, vídeos e até ajustes de branding são automatizados. “Antes, eu precisava de especialistas caros. Hoje, uso o Claude, o Gemini, o GPT-5”, diz.
Mais do que cortar custos, Tenório vê a IA como uma amplificação de potencial. “O profissional que não usar vai ser substituído, mas quem souber usar vai se tornar indispensável.”
Para ele, o avanço da tecnologia também ajuda a nivelar o jogo entre as regiões. “O empreendedor do Nordeste agora tem as mesmas ferramentas que o americano. O jogo virou.”
Apesar disso, o fundador ressalta que o ecossistema local ainda sofre com a falta de maturidade. Dados do Sebrae mostram que pelo menos 50,53% das startups nordestinas ainda não geraram faturamento. “É falta de preparo, não de ideia”, diz.