Repórter
Publicado em 3 de abril de 2025 às 10h50.
Última atualização em 3 de abril de 2025 às 10h51.
Empresas de tecnologia norte-americanas sofreram forte desvalorização nesta quinta-feira, 3, após o presidente Donald Trump anunciar novas tarifas de importação que levantaram temores de uma guerra comercial. A Apple liderou as perdas entre as gigantes do setor, com queda de mais de 8%, puxando para baixo o grupo conhecido como “Magníficos Sete” (Magnificent Seven), que reúne as maiores companhias do mercado de tecnologia.
Foi a maior queda da Apple desde 2020. A fabricante do iPhone produz seus dispositivos principalmente na China e em outros países da Ásia, que foram diretamente atingidos pela nova política tarifária. Trump anunciou uma tarifa geral de 10% sobre todas as importações e aumentos específicos, como 34% sobre produtos da China — que já estavam sujeitos a um imposto de 20% —, 46% sobre o Vietnã e 20% sobre itens vindos da União Europeia.
Outras grandes empresas também foram afetadas. Meta e Nvidia caíram mais de 6% cada. Tesla e Amazon seguiram a mesma direção, enquanto Microsoft e Alphabet, dona do Google, recuaram cerca de 2%. A Nvidia depende de fábricas em Taiwan e montagem de seus sistemas de inteligência artificial no México.
Papéis do setor de chips caíram em bloco, com quedas de mais de 8% para Marvell Technology, Arm Holdings e Micron Technology. Broadcom e Lam Research recuaram 6%, enquanto AMD caiu mais de 4%. No setor de software, ServiceNow e Fortinet também recuaram mais de 5% cada.
As medidas foram anunciadas após o fechamento dos mercados na quarta-feira (2), com Trump classificando as novas tarifas como uma “declaração de independência econômica” dos Estados Unidos. A resposta internacional foi imediata. O Ministério do Comércio da China pediu o cancelamento imediato das medidas e prometeu “contramedidas firmes”.
O índice Nasdaq-100, que concentra empresas de tecnologia, recuou mais de 4% e vive seu pior momento desde 2022. A tensão comercial amplia a preocupação com a desaceleração da economia dos EUA, que já vinha pressionando o mercado desde o início do ano.
Durante o anúncio, Trump elogiou algumas das big techs que anunciaram investimentos no país, como a Apple, que prometeu gastar US$ 500 bilhões nos próximos quatro anos nos Estados Unidos.