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Cientistas criam marca-passo do tamanho de um arroz que se dissolve no corpo e é ativado por luz

Dispositivo pode salvar recém-nascidos com problemas cardíacos e elimina necessidade de cirurgia para retirada

Marcapasso inovador: dispositivo também se dissolve com segurança ao longo do tempo (Getty Images)

Marcapasso inovador: dispositivo também se dissolve com segurança ao longo do tempo (Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 3 de abril de 2025 às 17h09.

Última atualização em 3 de abril de 2025 às 17h41.

Pesquisadores desenvolveram um marca-passo biodegradável, menor que um grão de arroz, que pode ser implantado com uma seringa e ativado por luz infravermelha. O avanço médico foi publicado na terça-feira, 2, na revista Nature e pode representar uma alternativa segura e acessível para tratar defeitos cardíacos em recém-nascidos.

Cerca de 1% dos bebês nascem anualmente com algum tipo de problema no coração. Em muitos casos, o tratamento exige apenas o uso de um marca-passo temporário por cerca de sete dias, período suficiente para que o órgão se recupere sozinho. Mas em regiões com menos acesso a cuidados médicos, essa intervenção simples pode não acontecer a tempo — e se tornar fatal.

Atualmente, marca-passos temporários envolvem cirurgias invasivas. Os médicos costuram eletrodos diretamente no coração e os conectam a caixas externas com fios que saem do corpo do paciente. Após a melhora, os fios são retirados — um processo que traz risco de infecção, coágulos, deslocamentos e, em alguns casos, até hemorragia.

Menor, mais seguro e sem necessidade de retirada

A equipe de Efimov e do bioeletrônico John Rogers, da Universidade Northwestern, já havia criado em 2021 um marca-passo biodegradável sem fios nem baterias, mas que precisava de uma antena para receber comandos via rádio — o que limitava seu tamanho.

A nova versão resolve essa limitação com uma inovação dupla: o dispositivo agora usa luz infravermelha para se comunicar e gerar estímulos elétricos, além de ser alimentado por uma célula galvânica, uma bateria que se ativa ao entrar em contato com fluidos do corpo. Assim, o aparelho dispensa qualquer estrutura externa e pode ser ainda mais miniaturizado.

O resultado é um dispositivo com apenas 1 mm de espessura, 1,8 mm de largura e 3,5 mm de comprimento — do tamanho de um grão de arroz —, mas com capacidade para gerar a mesma estimulação elétrica de um marca-passo convencional.

Aplicações futuras vão além do coração

Por ser tão pequeno e versátil, o marca-passo também pode ser acoplado a outras ferramentas médicas, como válvulas cardíacas artificiais e sistemas de controle de dor.

Em futuras aplicações, a equipe estuda usar múltiplos dispositivos sincronizados por diferentes comprimentos de luz, o que abriria espaço para terapias mais complexas, inclusive para tratamento de arritmias.

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