Chihiro: filmes do Studio Ghibli viraram prompt no ChatGPT (Studio Ghibli/Reprodução)
Redação Exame
Publicado em 3 de abril de 2025 às 10h50.
O gerador de arte no estilo Ghibli, lançado pela OpenAI como parte de seu GPT-4o, está dominando as redes sociais.
Com a capacidade de criar representações visuais inspiradas nos famosos filmes do Studio Ghibli, a ferramenta tem atraído uma quantidade enorme de usuários. Isso inclui figuras públicas como o Primeiro Ministro da Índia, Narendra Modi, e o empresário Elon Musk, que compartilhou uma versão "Ghibli" de si mesmo como Rafiki de O Rei Leão, levantando o Doge como se fosse um futuro governante.
No entanto, enquanto as imagens cativam o público, uma questão ética importante tem gerado discussões: será que a IA da OpenAI está utilizando imagens pessoais sem o consentimento de seus donos?
A versão gratuita do ChatGPT, que inclui o gerador de imagens, tem gerado preocupações por usar dados dos usuários para melhorar os modelos. Isso significa que as imagens e dados pessoais podem ser usados para treinamento da IA sem o consentimento explícito. Já a versão paga do ChatGPT não utiliza os dados dos usuários para esse fim, garantindo maior controle e privacidade sobre as informações inseridas.
O conteúdo do usuário é uma parte importante do processo de aprendizagem do ChatGPT na versão gratuita, incluindo entradas de texto, como prompts e respostas, e arquivos enviados durante a interação com a plataforma.
Outros dados técnicos também são coletados, como o endereço IP, o modelo do dispositivo e o navegador utilizado.
Essas informações são importantes para garantir a segurança da plataforma e prevenir abusos. Além disso, são monitorados dados de uso, como a frequência e duração das interações, assim como as funções acessadas, como a navegação na plataforma e a geração de imagens.
Os dados coletados são usados para melhorar o serviço oferecido pela OpenAI, personalizando a experiência do usuário e aprimorando a precisão dos modelos de IA, tornando a interação mais eficiente.
Parte do conteúdo fornecido pelos usuários pode ser utilizado para treinar e aprimorar os modelos de IA, embora a OpenAI ofereça a opção de não permitir que esses dados sejam usados para esse fim.
Também é utilizado para garantir a segurança da plataforma, utilizando o endereço IP para identificar atividades mal-intencionadas e prevenir abusos.
Apesar de coletar e utilizar dados, o ChatGPT oferece controle ao usuário sobre suas informações.
Os usuários podem optar por não permitir que seus dados sejam usados para treinamento e têm a possibilidade de solicitar a exclusão de suas informações.
Pela primeira vez em 2025, o ChatGPT superou a marca de 150 milhões de usuários ativos semanais, segundo dados da Similarweb. Em uma única hora, a plataforma somou 1 milhão de novos usuários, de acordo com Sam Altman, CEO da OpenAI — um ritmo de crescimento mais acelerado do que no lançamento original do serviço, há mais de dois anos.
O pico de tráfego, causado em grande parte pela criação de imagens no estilo dos estúdios japoneses, elevou também as receitas com assinaturas no aplicativo, além do número de downloads globais, conforme dados da SensorTower.
A empresa estima que as instalações cresceram 11%, os usuários ativos aumentaram 5% e o faturamento com compras no app subiu 6% em relação à semana anterior.
Esse crescimento, no entanto, trouxe desafios técnicos.
O serviço enfrentou uma série de instabilidades e interrupções parciais durante a semana. Em comunicado, a OpenAI afirmou que está atuando para ampliar a capacidade da plataforma e alertou que novos lançamentos podem atrasar devido ao aumento súbito de demanda.
O sucesso da ferramenta reacendeu discussões sobre a legalidade da reprodução de estilos artísticos por IA.
Advogados especializados em propriedade intelectual alertam que, embora as leis de direitos autorais protejam obras específicas, o estilo visual em si ainda não possui uma proteção clara na legislação. Isso torna nebulosa a fronteira entre homenagem e infração.
A OpenAI ainda não esclareceu quais imagens alimentaram o treinamento de seus modelos e se há implicações legais em simular estilos de estúdios como o Ghibli.
As críticas de Miyazaki à tecnologia também ressurgiram nas redes sociais após a explosão da tendência. Em uma entrevista de 2016, o cineasta japonês afirmou estar “profundamente enojado” ao ver imagens geradas por inteligência artificial, dizendo que jamais incorporaria esse tipo de tecnologia ao seu trabalho.
Enquanto o debate sobre os limites éticos e legais da IA continua, a criatividade dos usuários e o fascínio por estéticas nostálgicas seguem impulsionando o uso de ferramentas como o ChatGPT — mesmo que isso desafie os próprios criadores que inspiraram a tendência.