28 de julho de 2025 às 20:06
A partir de 1º de agosto, as tarifas de 50% sobre as importações brasileiras poderão encarecer as populares tigelas e smoothies de açaí vendidos nos Estados Unidos.
O fruto da Amazônia, que se tornou presença constante em cidades americanas, tem quase toda sua polpa exportada do Brasil, também principal fornecedor para Europa e Ásia.
O fruto da Amazônia, que se tornou presença constante em cidades americanas, tem quase toda sua polpa exportada do Brasil, também principal fornecedor para Europa e Ásia.
"As pessoas já reclamam um pouco do preço. Se ficar mais caro, acho que se tornará um item de luxo", afirmou Ashley Ibarra, gerente de uma unidade da Playa Bowls LLC em Midtown Manhattan, em entrevista à agência Reuters.
A empresa, sediada em Nova Jersey, possui cerca de 300 lojas no país.
Na rede, uma tigela de açaí com banana e granola custa aproximadamente US$ 18 em Nova York. A concorrente Oakberry Inc., maior cadeia global do setor com 700 unidades em 35 países, comercializa porções menores por US$ 13 em uma loja próxima.
As empresas de açaí divulgam o produto como energético, antioxidante e fonte de ômega-3. A Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador de alimentos dos EUA, ressalta que são necessárias mais pesquisas para comprovar benefícios à saúde.
"Um amigo me apresentou o açaí um dia, e eu adorei, então compro de vez em quando", disse Milan Shek, 50 anos, que consumia uma tigela com frutas frescas em Nova York. Ele reconheceu que, com preços mais altos, compraria menos.
A produção brasileira de açaí passou de 150 mil toneladas há dez anos para quase 2 milhões de toneladas em 2023, segundo dados do IBGE e dos governos do Pará e do Amazonas.
O crescimento impulsionou a exportação do fruto, antes restrito a pequenas cidades do Pará, para mercados de todo o mundo.
Os Estados Unidos são hoje o maior comprador estrangeiro, seguidos por Europa e Japão. Nazareno Alves da Silva, presidente da Associação dos Produtores de Açaí da Amazônia no Pará, disse que as empresas avaliam como absorver o impacto das tarifas.
"No momento, ainda não sabemos como fazer. Os números não batem", afirmou.