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Não tenho pressa para retaliar, quero negociar, diz Lula após autorizar uso da Lei de Reciprocidade

Lula também afirmou estar disposto a se encontrar com o presidente dos Estados Unidos na próxima reunião da Assembleia Geral da ONU

Publicado em 29 de agosto de 2025 às 10h30.

Última atualização em 29 de agosto de 2025 às 11h00.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou nesta sexta-feira, 29, que está disposto a negociar as tarifas com o presidente americano Donald Trump, após autorizar a abertura do processo para aplicação da Lei da Reciprocidade na noite da última quinta-feira, 28.

Em entrevista a Rádio Itatiaia, Lula informou que a autorização do uso da lei ocorreu para acelerar a resolução do conflito comercial com os EUA, que impuseram uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros exportados para o país. A tarifa entrou em vigor no dia 6 de agosto e afeta diversos itens, como carne bovina, café e frutas in natura, como manga. Quase 700 produtos foram isentos e permanecem com uma tarifa de 10%.

"É importante que o presidente americano entenda que o Brasil tem uma Constituição", afirmou o presidente da República. "Não tenho pressa para retaliar os EUA, mas precisamos mostrar que também temos medidas a tomar."

Lula também revelou estar disposto a se encontrar com o presidente dos Estados Unidos na próxima reunião da Assembleia Geral da ONU, marcada para o dia 24 de setembro, mas deixou claro que o primeiro passo deve partir de Trump.

Em referência às negociações, o chefe de Estado do país relembrou a equipe que tenta negociar com autoridades americanas. "Eu coloquei meu vice-presidente, Geraldo Alckmin, meu ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e meu ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, para serem negociadores com os EUA. Até agora, não conseguimos falar com ninguém", revelou o presidente.

Durante a entrevista, Lula comentou que Haddad chegou a marcar um telefonema com secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, para discutir sobre o tema. Entretanto, Bessent alegou "falta de tempo" para a conversa. Lula destacou que dias depois, o secretário foi fotografado com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Eduardo.

Como funciona a Lei da Reciprocidade

Aprovada por unanimidade no Congresso e sancionada em abril, a Lei da Reciprocidade fortalece a posição do Brasil em negociações internacionais, permitindo ao país adotar medidas equivalentes às exigidas por parceiros comerciais. Segundo parlamentares e técnicos do governo ouvidos pela EXAME, a norma dá ao país instrumentos para atuar em igualdade de condições diante de barreiras externas que prejudiquem a competitividade nacional.

Pela nova legislação, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), vinculada ao Ministério da Indústria e Comércio, poderá suspender concessões comerciais e de investimentos, restringir importações, suspender patentes e até aplicar taxações adicionais contra países ou blocos que afetem negativamente os produtos brasileiros. O decreto presidencial que regulamentou a lei também prevê a adoção de contramedidas provisórias, em caráter excepcional e com tramitação mais ágil, além da responsabilidade do Itamaraty em notificar os parceiros impactados.

Na prática, o Brasil passa a ter instrumentos mais firmes para retaliar parceiros como os Estados Unidos, mas sem ação automática. A Camex terá 30 dias para avaliar a admissibilidade de cada pedido e, se aceito, um grupo de trabalho será formado para aprofundar o processo. Nesse estágio, o país alvo, como os EUA, poderá apresentar sua defesa e participar das negociações, em coordenação entre o Itamaraty e o MDIC.

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