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‘O Último Azul’ vai fazer você repensar a forma como os idosos são tratados no Brasil

Filme de Gabriel Mascaro tem Denise Weinberg como protagonista e levou o Urso de Prata em Berlim, segundo maior prêmio do festival europeu

Santoro e Weinberg: nas águas do Rio Negro, na Amazônia (Vitrine Filmes/Divulgação)

Santoro e Weinberg: nas águas do Rio Negro, na Amazônia (Vitrine Filmes/Divulgação)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de POP

Publicado em 30 de agosto de 2025 às 14h05.

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Na vastidão das águas do Rio Negro, cercado pela mata densa da maior floresta do mundo, um barco clandestino desliza devagar, sem fazer alarde. Dentro dele, um homem desiludido leva uma senhora de 77 anos que tenta escapar do destino de todos os idosos do Brasil: a ilha colônia de moradias para a terceira idade.

Não é assim tão difícil imaginar o cenário distópico que o diretor Gabriel Mascaro criou para O Último Azul, filme estrelado por Denise Weinberg e Rodrigo Santoro que teve sua estreia no 53⁠º Festival de Cinema de Gramado, em agosto. O longa conta, de forma tragicômica, a história de Tereza, que trabalhava em uma fábrica de carne de jacaré e passou toda a vida em uma pequena cidade industrializada na Amazônia. Um dia, ela recebe uma ordem oficial do governo: é considerada um “patrimônio vivo” do país — o que basicamente significa que está velha demais para viver em sociedade e precisa se mudar para a colônia dos idosos, de onde ninguém volta.

Na trama, além do governo, todos em geral são favoráveis ao destino dos idosos. Passada a idade de corte, o indivíduo perde a identidade, o direito de ir e vir, e até a própria casa. Se tenta fugir, é procurado pela polícia e levado à força — de cata-velho, um carro formulado para apreender as pessoas com mais idade — até a balsa que leva todos os idosos para a nova moradia.

O filme recebeu o Urso de Prata no 75o Festival de Cinema de Berlim. “Pensar nas referências foi muito difícil. Poucos filmes falam sobre o tema, abordam a complexidade da terceira idade”, disse Gabriel Mascaro, roteirista e diretor da obra, à Casual ­EXAME. “Quando existe, é geralmente sobre esse corpo que está na iminência da morte, se despedindo. Meio que a sociedade ficou rápida demais, a tecnologia se desenvolveu muito, e esse corpo já não pertence mais àquilo, é ultrapassado. E eu queria fazer um filme apaixonado pela vida.”

Quem dá vida a Tereza é Denise Weinberg, atualmente com 69 anos. “Trabalhei seis vezes por semana, 10 horas por dia, e foi tão bonito que eu rejuvenesci”, brincou ela. “Mas o que pegou para mim é que a Tereza tem uma pulsão de vida, ela foge de todos esses estereótipos, e eu nunca interpretei alguém assim. Para mim, como atriz, é uma maneira fresca de enxergar essa fase. Uma pessoa velha não tem de ficar assim ‘caquética’, ‘cocó’. Se você olhar, tem um monte de gente aí, atores com 90 anos em cartaz, no teatro, no cinema, fazendo história. É tão bonito isso, continuar a vida como ela merece ser continuada”, disse.

Santoro, que faz uma participação no longa, interpreta Cadu, o homem que leva Tereza no início da fuga de seu destino. “A gente precisa muito conversar sobre como olhamos e lidamos com o envelhecer. E esse roteiro aborda esse tema de forma bem-humorada, profunda. Foi um trabalho de imersão, sem tecnologia, apenas em contato com a força da natureza.”

O Último Azul | Rodrigo Santoro, Denise Weinberg, Miriam Socarras | 28 de agosto nos cinemas

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