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Uma visão da Neurociência sobre as emoções e o que fazer com elas 

Abordagens terapêuticas e o monitoramento contínuo dos sentimentos, ajudam a trazer à consciência conexões com heranças emocionais de experiências passadas

Pessoa estudando: veja táticas recomendadas pela neurociência para aprender mais rápido (monkeybusinessimages/Thinkstock)

Pessoa estudando: veja táticas recomendadas pela neurociência para aprender mais rápido (monkeybusinessimages/Thinkstock)

EXAME Saint Paul
EXAME Saint Paul

EXAME Saint Paul

Publicado em 27 de agosto de 2025 às 22h52.

Por Alexandra Olivares*

 

É emocionante poder escrever sobre conceitos científicos de uma forma que ajude a você, querida(o) leitora ou leitor a desenvolver comportamentos funcionais num mundo corporativo intenso e complexo. Neste espaço, com certa frequência, irei abordar alguns dos infinitos aspectos do comportamento humano sob o olhar da Neurociência. Para não te perder prometo sempre inserir estratégias práticas que te permitam exercitar novos comportamentos, especialmente dentro de uma sala de comitê executivo ou de Conselho.  

Aquilo que sentimos acontece no campo subjetivo de conexões neurais em nosso Sistema Nervoso, principalmente no cérebro. O cérebro registra as experiências de acordo com a intensidade emocional de cada experiencia. Essas experiencias emocionalmente intensas influenciam nossa percepção do mundo e dos outros, se tornando como uma herança emocional que filtra ou faz enxergar as situações de forma ameaçadora, até em momentos que não representam uma real ameaça a nossa sobrevivência física ou social.

O executivo está prestes a lutar, fugir ou ficar paralisado em situações em que talvez não tivessem um perigo iminente, por exemplo, numa reunião dentro de uma sala onde no passado vivenciamos micro- agressões ou bullying. 

O que fazer para lidar com nossas heranças emocionais? Exercitar a consciência corporal e o raciocínio crítico nos momentos em que percebemos mudanças fisiológicas rápidas (batimento cardíaco, suor, dores etc.) pode ajudar a gerenciar reações automáticas. O nervo vago é o nervo mais longo do nosso corpo e um dos componentes mais importantes do Sistema Nervoso Parassimpático. A respiração profunda e a consciência corporal estimulam o nervo vago, aumentando o espaço mental entre o estímulo e a resposta comportamental daqueles que já vivenciamos situações traumáticas. 

Abordagens terapêuticas e o monitoramento contínuo dos sentimentos, ajudam a trazer à consciência conexões com heranças emocionais de experiências passadas. A intenção não é abafar o que sentimos ou fazer de conta que a situação presente não seja potencialmente ameaçadora, a intenção é se questionar: isso que estou sentindo agora tem a ver com minha experiencia do passado? Ou de fato com meu momento presente? Estou vivendo uma situação de perigo? Qual é o perigo? O que posso fazer?   

Nas situações cotidianas do mundo corporativo ativamos heranças emocionais às vezes perturbadoras, a escolha de como reagir pode e deve ser nossa. Ao reconhecer que somos humanos e sentimos medo, raiva, tristeza, culpa, vergonha, dentre outras emoções, deixamos de lado por alguns segundos o crachá e aumentamos a chance de expressar nosso potencial e usar nosso poder e influência para melhores decisões e melhores relações. 

 

 

*Alexandra Olivares é Conselheira de Administração, Diretora do Programa Avançado para CEOs, Conselheiros e Acionistas SEER, da Exame | Saint Paul e Docente de Neurociência Aplicada a Tomada de Decisões. Formada em Ciências Contábeis e Finanças na UCAB (Venezuela), Mestre em Administração de Empresas na ESADE (Espanha), Especialista em Neurociência Aplicada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa (Brasil), Pós MBA em Desenvolvimento Avançado para Conselheiras de Administração da Saint Paul e certificada pela Columbia Business School em Ciências Comportamentais Aplicadas.