Motores de avião Leap, da GE Aerospace, em oficina de manutenção (Divulgação)
Repórter de macroeconomia
Publicado em 30 de agosto de 2025 às 12h27.
Última atualização em 30 de agosto de 2025 às 12h35.
Petrópolis, RJ - Os voos de ponte aérea, que ligam cidades próximas, como São Paulo e Rio de Janeiro, encurtam distâncias, mas exigem mais dos motores. Assim, os aviões usados nesses trechos acabam tendo de ir mais vezes para a oficina.
A razão para isso é que a decolagem do avião é o momento em que os motores são mais exigidos. "Eles precisam usar força máxima para a decolagem", diz Luiz Froes, vice-presidente de Relações com governos na GE Aerospace para a América Latina
A empresa, uma das principais fabricantes de motores do mundo, faz manutenção dessas peças em oficinas no estado do Rio de Janeiro. As unidades brasileiras receberam cerca de 600 motores em 2024.
Os motores precisam passar por revisões periódicas, assim como os carros. No entanto, a métrica usada é o número de decolagens.
"Um determinado motor pode operar até 20 mil ciclos sem manutenção. Um ciclo é uma decolagem e um pouso. Se o voo é curtinho, você pode fazer 10 ciclos por dia. Aí ele tem que vir [para a oficina] em um espaço mais curto de tempo", diz Froes.
Uma estratégia para reduzir o desgaste é alternar os aviões usados na ponte aérea. Assim, uma aeronave pode fazer o trecho São Paulo-Rio em um dia e no outro ir de São Paulo a Recife, por exemplo, para fazer viagens curtas e mais longas, de modo a reduzir o desgaste das peças.
Em média, os motores passam por revisão de rotina a cada cinco ou seis anos. O tempo pode ser reduzido se houver algum dano inesperado, como um choque com um pássaro ou sinais de danos em alguma parte.
Os equipamentos são avaliados diariamente pelas companhias aéreas, que fazem reparos mais simples em suas oficinas. Em caso de problemas mais graves ou revisões periódicas, os motores são retirados dos aviões e enviados para o fabricante. Nessas ocasiões, eles são completamente desmontados e remontados, para que todas as milhares de peças internas sejam avaliadas.
Froes explica que o motor usado em aviões grandes funciona como um aspirador. "Você aspira uma quantidade de ar suficiente, comprime aquele ar, joga o combustível e ele gera a queima. Essa combustão gera a energia suficiente para empurrar o avião e poder decolar e voar", diz.
Nas outras etapas do voo depois da decolagem, o motor trabalha menos. Depois que o avião atinge 10 mil pés de altitude, a resistência do ar é menor e as rotações são mais baixas. No pouso, os motores podem usar uma função reversa para ajudar na frenagem, mas o esforço também é menor.
* O repórter viajou a convite da GE Aerospace.